São Bernardo do Campo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Finanças

Governo prepara programa para renegociar dívidas antigas de pessoas físicas

Medida prevê compra de débitos com desconto, mas ainda não tem critérios, valores ou condições de pagamento divulgados.

Governo prepara programa para renegociar dívidas antigas de pessoas físicas

O Ministério da Fazenda prepara um novo programa para ajudar pessoas físicas com dívidas antigas. A proposta prevê que esses débitos sejam adquiridos com desconto, o que pode abrir espaço para novas condições de renegociação. Os detalhes da operação ainda não foram apresentados.

O anúncio foi feito pelo ministro Dario Durigan durante uma agenda em São Paulo ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A iniciativa dá continuidade às medidas federais voltadas à recuperação financeira das famílias depois do Novo Desenrola Brasil.

Ainda não há informações sobre quem poderá participar, quais serão os valores envolvidos, como funcionarão os pagamentos ou de que forma a operação será colocada em prática.

Endividamento das famílias

A proposta surge em um cenário de alto comprometimento da renda familiar. Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio (CNC), indicam que cerca de 82% dos lares brasileiros tinham algum tipo de dívida em meados de 2026.

O levantamento também mostrou que 29,8% das famílias estavam com contas atrasadas. Outros 12,3% dos entrevistados disseram não ter condições de quitar os compromissos assumidos. Cartão de crédito, carnês e financiamentos estão entre as modalidades consideradas na pesquisa.

Resultados do Novo Desenrola

O novo programa será lançado depois do Novo Desenrola Brasil, voltado a pessoas físicas com renda mensal de até cinco salários mínimos. A iniciativa permitiu renegociar débitos de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal que haviam sido contratados até 31 de janeiro de 2026. Para entrar no programa, essas dívidas precisavam estar atrasadas entre 91 dias e dois anos.

As regras previam descontos de 30% a 90%, conforme as características e o período de atraso. Os juros poderiam chegar a 1,99% ao mês, com limite de R$ 15 mil por pessoa e por instituição financeira. O pagamento podia ser dividido entre 12 e 48 meses, com parcela mínima de R$ 50.

Também havia previsão de retirada da negativação para pessoas com dívidas de até R$ 100 nas instituições participantes. De acordo com o Ministério da Fazenda, o prazo para renegociar os débitos terminou em 31 de agosto de 2026.

A Caixa Econômica Federal informou que realizou R$ 1,36 bilhão em negociações em maio, incluindo R$ 89,5 milhões no segmento destinado às famílias. No total, R$ 28,37 bilhões em dívidas familiares foram renegociados, e o saldo caiu para R$ 5,71 bilhões após os acordos.

Dados do Fundo Garantidor de Operações (FGO) indicaram que três em cada dez operações de renegociação tinham parcelas não pagas.

Alerta sobre crédito

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, demonstrou preocupação com ofertas de crédito consideradas “agressivas ou predatórias”. Para ele, o consumidor pode assumir compromissos caros ou incompatíveis com sua capacidade de pagamento ao avaliar apenas se a parcela mensal cabe no orçamento, sem observar os juros e o custo total.

Galípolo defendeu mais transparência e conscientização na contratação de empréstimos e financiamentos, além de mudanças que deem ao consumidor mais tempo e informações antes da decisão.

Texto produzido pela Redação Finanças em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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