O SEB Education quer chegar a 800 escolas, mais de 50 países e 160 mil alunos até 2030. A meta faz parte da reorganização da família Zaher, que separou o antigo Grupo SEB em dois negócios com estratégias diferentes.
Uma frente voltada à educação premium
O SEB Education ficará sob o comando das irmãs Thamila, de 38 anos, e Thalita Zaher, de 44. A empresa reúne as escolas premium e bilíngues da família, com marcas como Maple Bear, Concept, Pueri Domus, Sphere, Carolina Patrício e PlayPen.
Hoje, o negócio reúne mais de 500 escolas, 78 mil alunos e operações em 42 países. A PlayPen foi adquirida no mês passado, em uma transação que ainda precisa de aprovação no CADE.
A expansão terá como principal motor a Maple Bear, que trabalha com franquias. Segundo Thamila, cerca de 90% do crescimento projetado no número de unidades deve vir desse modelo. Os outros 10% serão resultado da expansão das marcas próprias e de aquisições.
A estratégia não prevê transformar todas as unidades em uma única bandeira. “Cada marca vai manter sua identidade. A gente não acredita que educação tenha receita de bolo”, disse Thamila.
As escolas seguem propostas diferentes. A PlayPen incorpora elementos do método Montessori; a Sphere e a Pueri Domus usam o International Baccalaureate; a Maple Bear adota uma metodologia de origem canadense, com foco em bilinguismo; e a Concept trabalha com aprendizado por projetos.
No Brasil, as mensalidades ficam entre cerca de R$ 4,5 mil e R$ 15 mil por mês, dependendo da marca. O grupo também pretende crescer por meio da compra de escolas independentes, no Brasil e no exterior, sem sócios ou nova injeção de capital por enquanto.
Depois de uma nova unidade planejada para o Rio de Janeiro, a Concept deve avançar para cinco mercados internacionais já mapeados. A abertura de capital não está no plano de curto e médio prazo.
O braço comandado por Chaim
Chaim Zaher, de 73 anos, continuará à frente do Grupo A a Z. O negócio reunirá as escolas de alta performance, voltadas principalmente à aprovação em vestibulares, o sistema de ensino Conexia e participações em empresas como a Yduqs. Os ativos de comunicação da família, incluindo a NovaBrasil e as operações de TV, também ficarão nesse grupo.
A Kinea faz parte dessa frente. A gestora de private equity investiu R$ 415 milhões na tese em 2024.
Chaim vê possibilidades de reunir ativos, atrair investidores e eventualmente abrir o capital. “O A a Z está sendo preparado para algum negócio: fazer uma fusão, crescer, abrir capital… Posso fazer qualquer tipo de negociação”, afirmou.
As escolas de alta performance têm mais de 50 unidades no Brasil e cerca de 50 mil alunos próprios. Como trabalham com tíquete menor e podem chegar a mais cidades, Chaim avalia que esse braço pode crescer mais rapidamente em número de estudantes.
Sucessão em etapas
A transferência formal dos negócios ocorreu nos últimos dois anos, enquanto o processo de sucessão começou há mais de dez, segundo Thamila. Ela e Thalita trabalham com o pai há mais de duas décadas e terão assentos nos conselhos das empresas comandadas por Chaim.
No SEB Education, Chaim será chairman e continuará no conselho, mas não participará da gestão cotidiana. A administração executiva ficará com as filhas, que terão autonomia para conduzir o negócio. “Eu quero que elas realmente toquem a SEB Education”, disse Chaim.








