NAIROBI — A Organização das Nações Unidas recebeu apenas um quinto dos 202 milhões de dólares (R$ 1,05 bilhão) solicitados para preparar 22 países para possíveis crises alimentares provocadas pelo El Niño. O alerta foi feito nesta sexta-feira (25) por Rein Paulsen, diretor de Emergências e Resiliência da FAO.
A quantia foi pedida pelo Programa Mundial de Alimentos (PMA) e pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) para apoiar cerca de nove milhões de pessoas. Até agora, as organizações receberam cerca de 40 milhões de dólares (R$ 208 milhões).
A conversão para reais considera a cotação de venda do Banco Central disponível para 24 de setembro.
Paulsen afirmou que a falta de recursos reduz a capacidade de agir antes dos impactos do fenômeno. "Temos alertas antecipados. Sabemos o que é necessário (...), mas o financiamento representa um verdadeiro desafio", disse o diretor da FAO.
Países sob risco
O período mais intenso do El Niño é esperado entre outubro e dezembro. O fenômeno pode ampliar os efeitos das mudanças climáticas provocadas pelas atividades humanas, com previsão de secas e inundações principalmente em países que já enfrentam problemas graves de insegurança alimentar.
Mais da metade dos 22 países considerados de maior risco está na África. Os demais ficam nas regiões Ásia-Pacífico, América Latina e Caribe.
Projeções científicas divulgadas nesta quarta-feira (23) estimaram que o episódio atual pode provocar 451.000 mortes adicionais em todo o mundo até fevereiro, com o aumento das temperaturas.
Em agosto, o Conselho Norueguês para Refugiados informou que seis milhões de pessoas na Somália enfrentam níveis críticos de fome. Mais de 700 mil pessoas foram deslocadas no país neste ano, sendo 500 mil por causa da seca.








