São Bernardo do Campo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Finanças

Mercado Livre avança na venda de remédios e entra no radar da Anvisa

A plataforma anunciou entregas de medicamentos na região metropolitana de São Paulo, mas a Anvisa diz que marketplaces ainda não podem comercializar esses produtos.

Mercado Livre avança na venda de remédios e entra no radar da Anvisa

O Mercado Livre anunciou o avanço da venda de medicamentos, inclusive alguns que exigem receita médica com retenção, na região metropolitana de São Paulo. A plataforma promete entregar os pedidos em até 60 minutos e passou a ser questionada pela Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Entre os produtos citados estão antibióticos, medicamentos para diabetes e saúde cardíaca e análogos de GLP-1 usados no tratamento da obesidade. O anúncio também repercutiu no mercado financeiro: ações de redes de farmácias na B3 caíram, com atenção especial à disputa pelas canetas emagrecedoras.

O que diz a Anvisa

A Anvisa informou que notificou formalmente o Mercado Livre para pedir dados sobre a regularidade da operação. Entre os pontos analisados estão exigências aplicadas a farmácias e drogarias, como responsabilidade técnica, regras de armazenamento e registro de farmacêutico responsável.

A agência afirmou que, enquanto a regulamentação em discussão não for concluída, “permanece vedada a comercialização de medicamentos por marketplaces”. A norma atualmente citada pela Anvisa é a RDC 44/2009. A aplicação da Lei 15.357/2026 depende de regulamentação da vigilância sanitária.

Sancionada em março, a lei estabeleceu critérios para a venda de medicamentos em farmácias ou drogarias instaladas na área de venda de supermercados. O texto permite a contratação de canais digitais e plataformas de comércio eletrônico para logística e entrega, desde que as regras sanitárias sejam cumpridas.

A Anvisa abriu o processo regulatório sobre o tema em agosto deste ano, mas ainda não informou quando voltará a analisar a resolução sobre a venda de medicamentos por marketplaces e aplicativos.

Como o Mercado Livre explica a operação

A empresa disse que mantém diálogo com a Anvisa e outras entidades. Segundo o Mercado Livre, pedidos com receita passam por conferência técnica de farmacêutico antes da liberação, incluindo os medicamentos análogos de GLP-1.

A entrada no modelo de marketplace, chamado de 3P, está prevista para outubro. Nessa etapa, apenas farmácias licenciadas poderão vender medicamentos na plataforma. A expectativa da empresa é reunir 20 farmácias parceiras até o fim do ano.

A operação começou em fase inicial. O Mercado Livre afirmou que pretende desenvolver o modelo com foco em qualidade, segurança e conformidade.

Disputa com as farmácias

O Mercado Livre comprou uma farmácia em São Paulo em setembro de 2025. Em março de 2026, iniciou um projeto-piloto para vender medicamentos isentos de prescrição e outros produtos.

Para o advogado Gustavo Swenson Caetano, do Mattos Filho, o debate envolve a chamada dispensação remota de medicamentos e deve considerar a revisão da RDC 44/2009. A regra permite que somente farmácias e drogarias abertas ao público, com farmacêutico responsável durante todo o horário de funcionamento, dispensem remédios solicitados por telefone ou internet.

Dados da Anvisa mostram que aproximadamente 200 mil anúncios irregulares de produtos sujeitos à vigilância sanitária foram identificados em ambientes digitais durante ações realizadas entre 2022 e 2024.

O mercado de medicamentos análogos de GLP-1 também aumenta o interesse comercial. Estimativas do ItaúBBA apontam que esse segmento pode chegar a R$ 61 bilhões até 2030. A queda de patente da semaglutida, a aprovação de novas marcas e a concorrência nas farmácias estão entre os fatores citados na disputa por esse mercado.

Relatórios da XP e do Safra apontam que a entrada do Mercado Livre pode abrir uma nova fonte de receita, mas também exigir investimentos em entregadores, farmacêuticos e estoque. As farmácias, por outro lado, têm lojas físicas, estoques integrados, canais digitais e operações de entrega já estabelecidas.

No segundo trimestre de 2026, 94% das vendas online da Raia Drogasil vieram de canais próprios. Na Pague Menos, os canais próprios responderam por 86% das vendas digitais. Na Panvel, essa participação foi de 88%. Os marketplaces representaram 23% das entregas da rede.

Texto produzido pela Redação Finanças em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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