São Bernardo do Campo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Finanças

Digimais aplicou R$ 271,4 milhões em papéis sem valor de mercado do Besc

Fundo Betel concentrava recursos em cártulas do antigo banco catarinense, segundo dados enviados pela CVM ao Senado.

Digimais aplicou R$ 271,4 milhões em papéis sem valor de mercado do Besc

O Banco Digimais aplicou R$ 271,4 milhões em cártulas do extinto Banco do Estado de Santa Catarina (Besc) por meio do Fundo Betel. Os papéis não têm valor real de mercado, mas foram registrados no fundo administrado pela Reag, gestora que teve a liquidação decretada pelo Banco Central em janeiro deste ano.

Até janeiro deste ano, o Digimais aparecia como único cotista do Betel, conforme dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) enviados à CPI do Crime Organizado do Senado. Todo o dinheiro depositado no fundo estava aplicado nos títulos do antigo banco catarinense. O montante correspondia a 82% do patrimônio líquido do Digimais, avaliado em R$ 331 milhões no último balanço divulgado.

A estrutura se assemelha à identificada no Banco Master, no qual um fundo ligado à instituição comprava títulos do Besc como se tivessem valor elevado. De acordo com as investigações, balanços artificialmente inflados poderiam ampliar a margem para empréstimos com ativos sem liquidez como garantia e melhorar a percepção de solidez do banco na captação por Certificados de Depósito Bancário (CDBs).

Fundo não aparece nos balanços

O Fundo Betel não está nos registros de balanço do Digimais nem na relação de integrantes do conglomerado prudencial da instituição perante o Banco Central. O banco informou que o fundo deixou seu portfólio em outubro de 2025, mas essa versão diverge dos dados oficiais encaminhados pela CVM ao Senado.

Questionado sobre a diferença e sobre o dinheiro que teria sido recebido com a venda das cotas, o Digimais repetiu que não mantinha o fundo desde a data indicada e não apresentou detalhes financeiros da operação. A Reag não se manifestou.

O Betel foi criado em 24 de abril de 2025 com o nome PNG International Bank. Em 26 de junho do mesmo ano, depois que suas cotas foram adquiridas integralmente pelo Digimais, passou a se chamar Betel. Os registros de aplicação nos papéis do Besc começam em julho de 2025 e vão até agosto deste ano.

As cártulas foram compradas de dois veículos de investimento, SDG II e BB Claim. Os fundos fazem parte de uma estrutura cujos beneficiários finais são filhos de João Carlos Mansur, ex-dono da Reag. O SDG II também foi usado pelo Banco Master para ocultar R$ 5,4 bilhões em dívidas de empresas relacionadas.

Investigação sobre o banco

A Polícia Federal investiga o Digimais por suspeitas de manipulação de relatórios financeiros para esconder sua situação de caixa e simular solidez perante órgãos reguladores. Entre as apurações estão possíveis crimes de gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em relatórios operacionais e concessão de empréstimos e financiamentos proibidos por lei.

A compra de precatórios também está no foco da investigação. Em balanço divulgado nesta quinta-feira (17), o banco controlado pelo Grupo Record, pertencente a Edir Macedo, informou prejuízo de R$ 581,4 milhões no primeiro semestre deste ano.

A CVM apura desde 2022 operações da Reag com papéis do Besc, incluindo movimentações de cinco fundos sob sua gestão em 2020. O Besc foi incorporado pelo Banco do Brasil em 2008. Na operação, os acionistas receberam ações eletrônicas do Banco do Brasil, enquanto as cártulas físicas antigas não foram recolhidas.

Em documento publicado em 2025, o Tesouro Nacional afirmou que os ex-acionistas tiveram a opção de converter os papéis em ações do Banco do Brasil e que as cártulas restantes têm apenas valor histórico.

Texto produzido pela Redação Finanças em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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