As emissões de debêntures de infraestrutura caíram para o menor patamar desde janeiro de 2019, em um cenário de baixa demanda e crédito caro para as empresas. Em agosto, foram apenas R$ 170 milhões, queda de 97,5% em relação a julho e de 98% na comparação com agosto de 2025, segundo a Anbima.
O volume aumentou em setembro, mas continuou distante dos níveis de 2025. Um banqueiro que atua com operações de dívida afirmou que existe uma demanda reprimida das empresas, mas que uma recuperação mais firme depende da perspectiva para os juros.
A retração ocorre enquanto os spreads das debêntures incentivadas avançam. O indicador, que mede o prêmio pago pelos papéis em relação às NTN-Bs de prazo equivalente, chegou a 0,4 ponto percentual na mediana dos títulos acompanhados pela Anbima.
Entre os papéis mais líquidos, o spread alcançou 0,74 ponto, acima da média histórica de 0,57, conforme o IDEX-Infra. Até março, os spreads estavam negativos.
Pressão sobre os fundos
A marcação a mercado deve afetar, em setembro, os fundos que investem nessas debêntures. A volatilidade e os defaults de empresas como Raízen e GPA afastaram investidores ao longo do ano, reduzindo a procura pelos produtos.
Um gestor de fundo de crédito também apontou a expansão do modelo fee-based na assessoria financeira. Segundo ele, com menos assessores recomendando papéis que pagam comissões elevadas, a participação das pessoas físicas nesse mercado diminuiu.
Mesmo com o cenário de perdas e menor liquidez, gestores identificam espaço para novas operações. Rafael Fritsch, CIO da Root Capital, que lançou um fundo de infraestrutura listado em Bolsa, disse: “é um momento interessante para capturar os prêmios do mercado secundário”.
Na Leto Capital, os gestores avaliam que as debêntures de infraestrutura têm “a melhor relação risco-retorno entre as subclasses de crédito privado”. A avaliação tem orientado o aumento gradual da exposição da gestora à categoria.








