São Bernardo do Campo, Sexta-feira, 2 de outubro de 2026
Finanças

Crédito rotativo chega a R$ 311 bilhões e juros alcançam 445% ao ano

Concessões do rotativo até agosto de 2026 já se aproximam do total de 2025, enquanto governo discute limitar cartões por pessoa.

Crédito rotativo chega a R$ 311 bilhões e juros alcançam 445% ao ano

As concessões de crédito rotativo do cartão somaram R$ 311 bilhões até agosto de 2026, o maior volume da série histórica para o período, informou o Banco Central. No mesmo intervalo de 2025, o total havia sido de R$ 266 bilhões. O valor acumulado neste ano também se aproxima dos R$ 403 bilhões registrados durante todo 2025.

A modalidade é acionada quando o consumidor não paga a fatura inteira até o vencimento. Em agosto, os juros chegaram a 445% ao ano, a maior taxa entre as linhas de crédito citadas. No crédito consignado, as taxas anuais variam de 24% a 56%.

Governo discute limite para cartões

O presidente Lula afirmou que está em discussões com o Banco Central para propor a limitação de um cartão de crédito por pessoa no país. Ele criticou a concessão de limites pelas instituições financeiras e relatou o caso de um pai que recebeu o quarto cartão, gastou R$ 80 mil e ficou com uma dívida do mesmo valor.

O Banco Central informou que havia 101 milhões de usuários de cartão de crédito no início deste ano. Em janeiro, cerca de 40 milhões de brasileiros estavam pendentes no crédito rotativo. A inadimplência da modalidade chegou a 63,5%. Na prática, mais de R$ 60 a cada R$ 100 concedidos não são pagos pelos tomadores.

As concessões anuais do rotativo não haviam passado de R$ 225 bilhões entre 2012 e 2020. O uso da linha aumentou depois do fim do Auxílio Emergencial, a partir de 2022, e durante o período de inflação mais alta. O índice oficial ficou acima de 10% em 2021 e em 5,8% em 2022. Em 2025, os desembolsos passaram de R$ 400 bilhões no ano.

Em março, Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, afirmou que o desafio é criar alternativas mais adequadas para quem precisa de crédito e arranjos mais saudáveis para os clientes.

O governo lançou no ano passado o crédito consignado para trabalhadores do setor privado. A linha liberou R$ 130 bilhões até junho deste ano e permite usar o FGTS como garantia. Entidades de defesa do consumidor orientam cautela.

Desde janeiro de 2024, também está em vigor um teto para o saldo devedor do rotativo, aprovado pelo Congresso Nacional e pelo governo. Juros e encargos não podem superar o valor original da dívida: um débito de R$ 100 não pode ultrapassar R$ 200 no total.

Texto produzido pela Redação Finanças em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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