São Bernardo do Campo, Sexta-feira, 2 de outubro de 2026
Finanças

ANP delimita 501 blocos na Margem Equatorial após decisão da ONU

A agência criou 11 setores exploratórios em área ampliada da plataforma continental, mas os blocos ainda não estão liberados para oferta às empresas.

ANP delimita 501 blocos na Margem Equatorial após decisão da ONU

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovou nesta quinta-feira (2) a criação de 11 novos setores exploratórios, que reúnem 501 blocos na Margem Equatorial. A área passou a integrar a Plataforma Continental Brasileira depois de uma decisão da Organização das Nações Unidas (ONU).

A medida estabelece uma nova configuração territorial para estudos e futuras atividades de exploração energética. Os setores ocupam aproximadamente 380 mil quilômetros quadrados e ficam em águas ultraprofundas, com lâminas d’água superiores a 3 mil metros.

O que foi reconhecido pela ONU

Em 2025, a Comissão de Limites da Plataforma Continental (CLPC), órgão ligado à ONU, aceitou a reivindicação brasileira sobre a extensão da plataforma continental na Margem Equatorial. O pedido havia sido apresentado pelo Brasil em 2017, após décadas de levantamentos técnicos coordenados pela Marinha.

Com a decisão, o país passou a ter direitos soberanos sobre os recursos naturais do leito e do subsolo marinhos em aproximadamente 360 mil quilômetros quadrados adicionais. A área tem dimensão próxima à da Alemanha.

Esse reconhecimento não equivale à ampliação do mar territorial brasileiro. O que foi reconhecido são os direitos sobre os recursos naturais encontrados no leito e no subsolo da plataforma continental estendida.

A base do trabalho foi o Plano de Levantamento da Plataforma Continental Brasileira (LEPLAC), programa coordenado pela Marinha que reuniu pesquisas oceanográficas, hidrográficas e geológicas.

Blocos ainda não serão oferecidos

Os novos setores abrangem as bacias de Barreirinhas, Ceará, Foz do Amazonas, Potiguar e Pará-Maranhão. A ANP classificou as áreas como Nova Fronteira Exploratória, expressão usada para regiões ainda pouco conhecidas do ponto de vista geológico e que precisam de novas campanhas de levantamento e exploração.

A aprovação dos setores não coloca automaticamente os 501 blocos à disposição das empresas petrolíferas. De acordo com a ANP, a decisão tem caráter técnico. Para que algum bloco seja incluído no sistema de Oferta Permanente, ainda serão necessárias análises específicas, além do cumprimento das etapas regulatórias e da avaliação dos órgãos responsáveis.

A agência também modificou os limites de três setores que já existiam, para ajustá-los à nova configuração da Plataforma Continental Brasileira. A atualização não muda contratos em vigor, pois as áreas recém-delimitadas ainda não foram contratadas.

Segundo a ANP, o estudo socioambiental considerou as unidades de conservação e não encontrou sobreposições ou proximidades que impedissem os recortes definidos. A configuração também deve ampliar a previsibilidade para atividades anteriores a uma possível contratação, como a aquisição de dados sísmicos, geoquímicos e multifísicos.

Impacto no planejamento energético

A Margem Equatorial ganhou atenção após descobertas realizadas nos últimos anos na Guiana e no Suriname, países localizados na mesma margem geológica do Atlântico. Para o setor petrolífero, o avanço abre espaço para ampliar o conhecimento sobre novas áreas e buscar a reposição das reservas brasileiras.

Projeções do setor indicam que, sem novas descobertas relevantes, a produção do pré-sal poderá entrar em trajetória de queda na década de 2030. Nesse cenário, a pesquisa de novas fronteiras é tratada como parte da segurança energética de longo prazo.

O Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP) avaliou a ampliação como estratégica para o país. Cláudio Nunes, diretor da entidade, chamou a medida de “sinalização positiva para a indústria, empresas e investidores”.

Pesquisadores do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) defendem que o desenvolvimento da área seja ligado a uma estratégia nacional de energia e desenvolvimento. Entre as propostas estão o fortalecimento da Petrobras na política energética e o uso da renda do petróleo em ações de longo prazo, como adaptação às mudanças climáticas, redução da pobreza energética, desenvolvimento tecnológico e financiamento da transição para uma economia de baixo carbono.

A Marinha considera o reconhecimento da ONU um marco para as fronteiras marítimas brasileiras e para a chamada Amazônia Azul, conceito que reúne os espaços marítimos sob jurisdição do país e sua importância econômica, ambiental, científica e estratégica. Com a nova delimitação da ANP, a decisão diplomática e científica começa a ser incorporada ao planejamento energético nacional.

Texto produzido pela Redação Finanças em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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