Os preços dos 25 carros usados mais buscados no Brasil caíram nos últimos 12 meses. A redução média foi de 10,2%, segundo levantamento da Auto Avaliar. No mesmo período, a tabela Fipe apontou queda média de 4%.
O Jeep Compass teve a maior desvalorização, de 15,7%, seguido pelo Jeep Renegade, com 13,8%, e pelo Chevrolet Tracker, com 13,5%. Todos os modelos analisados registraram queda.
Queda nos preços de venda
A lista considera os valores efetivamente praticados nas vendas em agosto de 2026:
- Jeep Compass: -15,7%
- Jeep Renegade: -13,8%
- Chevrolet Tracker: -13,5%
- Ford Ranger: -11,8%
- Toyota Corolla Cross: -11,8%
- VW Nivus: -11,2%
- Fiat Pulse: -10,5%
- Toyota Hilux: -10,3%
- Chevrolet Onix: -10,1%
- Honda Civic: -10,1%
- Hyundai Creta: -10%
- Honda HR-V: -9,9%
- Nissan Kicks: -9,7%
- Fiat Strada: -9,6%
- VW T-Cross: -9,5%
- Toyota Corolla: -9,3%
- VW Polo: -9,3%
- Fiat Toro: -9,3%
- Honda City: -9,2%
- VW Virtus: -8,6%
- Hyundai HB20S: -8,5%
- Toyota Yaris: -7,9%
- Fiat Argo: -7,2%
- Hyundai HB20: -7%
- Renault Kwid: -6,8%
A Auto Avaliar reúne mais de 27 mil lojistas que compram e vendem automóveis. A plataforma tem mais de 6 mil concessionárias cadastradas, o equivalente a 85% do segmento.
O levantamento considera sete anos-modelo, de 2019 a 2025, e 30 mil combinações de modelo, versão, ano e estado. Do total, 26% dos veículos tinham de 0 a 2 anos, 29% tinham de 3 a 4 anos e 45% tinham de 5 a 7 anos.
Diferença em relação à tabela Fipe
A pesquisa indica que existe uma diferença entre os preços anunciados e os valores fechados nas transações. Todos os 25 modelos apresentaram essa distorção.
Segundo J.R. Caporal, presidente da Auto Avaliar, a tabela Fipe reúne preços anunciados e apresenta defasagem em relação às negociações concluídas. “O nosso banco de dados mostra o quanto o lojista pagou pelo carro e por quanto ele fechou a venda”, afirmou.
José Éverton Fernandes, presidente da Federação Nacional dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto), disse que a tabela demora a refletir os ajustes do mercado. “Na Fipe, a gente olha para um retrovisor”, declarou.
A comparação mostra que os 25 modelos deixaram de ser vendidos acima da tabela Fipe. Em agosto de 2025, 1 em cada 3 seminovos da lista era vendido acima da referência. Em agosto de 2026, essa proporção caiu para 0,8%.
Entre os veículos com menos de 2 anos, mais de 67% eram vendidos com ágio em agosto de 2025. Em 2026, o índice caiu para 2%.
A Auto Avaliar relaciona esse movimento à procura por promoções de carros chineses e de modelos zero km, além da redução dos preços dos veículos novos. Fernandes afirmou que o mercado passa por uma reacomodação entre a quantidade de veículos disponíveis e a capacidade de compra.
Modelos continuam saindo rápido das lojas
Apesar da queda nos preços, os 25 modelos permanecem pouco tempo no estoque. A média do mercado é de 18 dias, e todos ficaram abaixo desse período.
O VW Polo teve o menor tempo de estoque, com 3 dias. VW Virtus e VW T-Cross ficaram em 5 dias. Hyundai HB20, Fiat Argo, Chevrolet Tracker e Chevrolet Onix registraram 6 dias.
Na outra ponta, o Toyota Corolla Cross permaneceu 18 dias no estoque, seguido por Honda City, com 16 dias, e Toyota Yaris, Toyota Corolla e Ford Ranger, com 15 dias cada. O cálculo usa a mediana de dados da Auto Avaliar em setembro de 2026 e considera modelos de 2020 a 2026.
Caporal afirmou que os veículos comprados quando os preços estavam mais altos exigem ajustes para baixo, para que os lojistas consigam vender e recompor o estoque com valores menores.
Para Tereza Fernandez, consultora, a queda dos seminovos está se consolidando em 2026. Ela afirmou que lojas com estoques elevados podem sofrer com a desvalorização, dependendo da velocidade da redução dos preços e da quantidade de veículos armazenados.
Impacto para quem vai trocar de carro
O consumidor que vende um seminovo encontra um valor menor, mas também pode comprar outro usado por um preço mais baixo. Por isso, Tereza avalia que não deve haver mudança significativa nesse tipo de negociação.
A compra de um carro zero km passa a depender dos descontos oferecidos pelas montadoras. A consultora também afirmou que não é possível generalizar o comportamento do mercado e citou a inadimplência como fator que levou os bancos a adotar critérios mais rígidos para o crédito.
Para Cássio Pagliarini, da Bright Consulting, a maior confiança do consumidor faz parte da explicação para a queda dos preços. Parte dos clientes que comprava usados passou a considerar um carro novo, enquanto os modelos chineses ganharam espaço.
Segundo o consultor, a aprovação do crédito continua sendo um obstáculo para os negócios. Embora exista demanda, a dificuldade para conseguir financiamento limita as transações.







