SANTA MARTA — Lojas e escolas continuaram fechadas nesta quarta-feira em Santa Marta, cidade turística no norte da Colômbia, depois de uma onda de violência ligada ao narcotráfico. Militares foram mobilizados após homens atirarem contra estabelecimentos comerciais e incendiarem veículos na véspera.
A cidade, que tem mais de meio milhão de habitantes, vive um clima de tensão. O sindicato dos taxistas suspendeu as atividades após os ataques. "As pessoas estão com medo de sair", disse o taxista Nicolás Díaz, 60.
Mobilização e prisões
As Autodefesas Conquistadoras da Sierra Nevada (ACSN), grupo armado com raízes paramilitares que atua com extorsão e tráfico de cocaína, fizeram a ação em resposta à morte de um de seus comandantes. A morte havia sido anunciada na última segunda-feira pelo presidente colombiano, depois de uma operação conjunta de policiais e militares.
De acordo com o prefeito de Santa Marta, Carlos Pinedo, 500 soldados e 600 policiais foram enviados para manter a ordem. Autoridades informaram que nove pessoas foram detidas após a violência de ontem. Também houve rumores sobre restrições ao comércio e à circulação impostas pela organização criminosa.
As autoridades incentivaram a reabertura do comércio local, mas as lojas continuaram fechadas. Para Fernando Díaz, 58, dono de um pequeno comércio, o clima na cidade está "pesado". Ele afirmou que lojas como a dele foram atacadas e que novos episódios podem ocorrer.
Santa Marta recebe centenas de milhares de visitantes por ano e é uma das entradas para o Parque Nacional Tayrona, declarado Reserva da Biosfera pela Unesco. Vários ônibus foram incendiados na estrada que leva ao parque, agora protegida por militares. O Tayrona permanece aberto, segundo donos de hotéis, e o aeroporto de Santa Marta opera normalmente.
O presidente Abelardo de la Espriella visitou a cidade ontem usando colete à prova de balas e portando uma pistola. Após os ataques, ele ordenou a transferência de 76 integrantes das ACSN para prisões de segurança máxima. Tropas do Exército foram posicionadas na estrada para o departamento de La Guajira, na fronteira com a Venezuela, onde o grupo também atua. Caças da Força Aérea foram mobilizados.








