PARIS — A TotalEnergies anunciou que pretende investir cerca de 10 bilhões de dólares (R$ 51,8 bilhões) na Argentina nos próximos anos. O grupo francês, principal produtor de gás no país, aplicará os recursos em três projetos que já existem, conforme informou o presidente-executivo da empresa, Patrick Pouyanné.
O anúncio ocorreu durante a Argentina Week, evento organizado por Buenos Aires para buscar investimentos estrangeiros e realizado na sede da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), em Paris. A mineradora francesa Eramet também comunicou que vai solicitar a ampliação de seu projeto de produção de lítio em Centenario, no norte argentino. A expansão pode exigir mais cerca de 350 milhões de dólares (R$ 1,8 bilhão).
Energia e minerais
No encontro com investidores europeus, Javier Milei apresentou a Argentina como fornecedora de energia e de matérias-primas. O presidente afirmou que o país tem reservas relevantes de cobre, lítio e urânio, além de segurança jurídica para empresas de mineração.
Milei também relacionou a disponibilidade de energia, metais e minerais à possibilidade de o país se tornar líder em inteligência artificial, especialmente para atender centros de dados. Em sua avaliação, a Argentina poderia oferecer energia em grande quantidade a uma Europa que busca reduzir a dependência de fornecedores considerados não confiáveis.
A invasão russa da Ucrânia e a guerra no Oriente Médio afetaram, nos últimos anos, as importações europeias de hidrocarbonetos dessas regiões. Ao mesmo tempo, os minerais críticos passaram a ter importância na disputa entre China e Estados Unidos.
Pressão política
Milei está na França desde quarta-feira para tentar atrair investimentos. A viagem ocorre a um ano das eleições presidenciais, em um momento de dúvidas sobre a recuperação econômica e sobre a velocidade dos lucros. Pesquisas citadas no levantamento apontam desaprovação entre 55%-60%, o menor nível desde o início de sua Presidência.
Recebido com aplausos e uma ovação de pé, o presidente defendeu suas medidas econômicas e disse estar otimista com a reeleição. Ele afirmou: "se o nosso governo for reeleito em 2027, 2028 será o melhor ano econômico da nossa história".
Desde que chegou ao poder, no final de 2023, Milei reduziu a inflação anual de 161% para 33%, equilibrou as contas públicas e recompôs parcialmente as reservas de divisas. O período de austeridade, porém, enfraqueceu a indústria, o emprego e o consumo.
A pobreza aumentou no primeiro semestre de 2026, atingindo quase um em cada três argentinos. A economia encolheu 0,6% entre abril e junho, em razão da queda do consumo e do investimento.
Milei ainda se beneficia da falta de lideranças claras na oposição peronista, de centro-esquerda, e prometeu manter o rumo de sua política. Nesta quinta-feira (1º), ele se reunirá com o presidente francês, Emmanuel Macron, a partir das 16h30, no Palácio do Eliseu. Macron defenderá a União Europeia e pedirá calma na disputa entre Buenos Aires e Londres pelas Malvinas, segundo seu gabinete.








