A pobreza aumentou na Argentina no primeiro semestre de 2026, durante o governo de Javier Milei. A parcela da população abaixo da linha da pobreza passou de 28,2% para 32,3%, conforme dados do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec). O avanço representa cerca de dois milhões de pessoas a mais nessa situação.
No país inteiro, 15,5 milhões de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza. A indigência também cresceu: foi de 6,3% para 7,5%, o equivalente a 595 mil pessoas a mais sem renda suficiente para comprar alimentos que atendam às necessidades diárias de energia e proteína. Ao todo, 3,6 milhões passam fome.
Emprego e custo de vida
Entre os 31 aglomerados urbanos acompanhados diretamente pelo Indec, 9,7 milhões de pessoas estão na pobreza. O número corresponde a 2,5 milhões de famílias, ou 24,4% dos lares analisados. A indigência atinge outras 600 mil famílias, que representam 5,6% do total.
A piora ocorre junto com a redução do emprego, a perda do poder de compra e a queda da atividade em setores que concentram postos de trabalho. Desde a posse de Milei, em dezembro de 2023, cerca de 30 mil empresas fecharam. O desemprego chegou a 7,9%, maior índice desde 2021, e quase metade da população economicamente ativa está na informalidade.
A cesta básica total subiu 19,6% no primeiro semestre, acima da inflação acumulada de 16,8%. Em 12 meses, o aumento chegou a 34,7%, enquanto os salários tiveram reajuste médio de 25%. O salário mínimo perdeu 39,1% do valor real desde o início do governo.
A pobreza alcança 44,5% das crianças e adolescentes de até 14 anos. Para Agustín Salvia, diretor do Observatório da Dívida Social Argentina, os benefícios sociais ainda existentes evitam uma deterioração maior. Sem eles, a taxa geral de indigência poderia passar de 7,5% para cerca de 15%.
“O aumento da inflação, a deterioração do mercado de trabalho, a menor atividade econômica e o menor consumo empurram o aumento da pobreza”, afirmou Salvia.
Modelo defendido por Flávio Bolsonaro
A atividade econômica argentina encolheu 2,9% em julho, maior queda mensal dos últimos seis anos. O recuo atingiu comércio, indústria e construção, em um cenário de abertura das importações, menor consumo interno e fechamento de pequenas e médias empresas.
O Centro de Economia Política Argentina (Cepa) avalia que a situação pode piorar nos próximos meses, com novas perdas para o salário mínimo, as aposentadorias e os programas de transferência de renda. A entidade também questiona a queda da pobreza divulgada em anos anteriores, afirmando que houve mudança na metodologia, com maior peso para a renda do trabalho informal.
Flávio Bolsonaro apresenta ao Brasil medidas semelhantes às adotadas por Milei, incluindo corte de pelo menos dez ministérios, reforma administrativa, mudanças nas regras trabalhistas e previdenciárias, abertura comercial e retomada das privatizações. Milei participou do lançamento da candidatura do brasileiro em julho e declarou apoio ao candidato do PL.








