SÃO PAULO — São Paulo registrou o maior número de feminicídios em um primeiro semestre desde o início da série histórica. Entre janeiro e junho de 2026, foram 141 ocorrências e 142 mulheres assassinadas, de acordo com a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP).
O total de ocorrências ficou 10% acima do registrado no mesmo período de 2025, que teve 128 casos e 129 vítimas. O ano de 2025 terminou com o maior número anual de feminicídios já registrado no estado: 266 casos, contra 246 em 2024.
A SSP inicialmente não forneceu os dados atualizados solicitados. A pasta justificou a demora com a existência de “demanda de campanha”. Após ser informada de que o Ministério Público poderia ser procurado para questionar a retenção das informações públicas, a secretaria disponibilizou os números.
Acumulado permanece próximo ao de 2025
No monitoramento nacional do Ministério da Justiça e Segurança Pública, São Paulo aparece com 151 vítimas de feminicídio entre janeiro e julho de 2026. No mesmo período de 2025, foram 153. A diferença é de duas mortes.
O resultado mantém o acumulado do ano praticamente no mesmo nível de 2025, que terminou com o pior resultado da série histórica paulista. Ainda não é possível afirmar que 2026 terá um novo recorde anual, mas o estado já atingiu uma marca inédita para os seis primeiros meses.
A alta do primeiro semestre ocorreu enquanto os homicídios dolosos caíram e chegaram ao menor patamar da série iniciada em 2001. A evolução diferente entre os indicadores levou a violência contra a mulher ao centro do debate sobre a política de segurança do governo Tarcísio de Freitas.
Os registros anuais de feminicídio em São Paulo foram de 136 em 2018, 184 em 2019, 179 em 2020, 140 em 2021, 195 em 2022, 221 em 2023, 246 em 2024 e 266 em 2025.
Atendimento especializado
Dados obtidos pela Lei de Acesso à Informação mostram que o estado tinha 144 Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) até agosto de 2026. Desse total, apenas 20 funcionavam 24 horas, o que representa menos de 14% das unidades.
As DDMs registraram 183.904 boletins de ocorrência em 2025 e outros 118.012 entre janeiro e agosto de 2026. Somados, os registros chegam a 301.916 no período analisado, com média de aproximadamente 20 boletins por hora.
Também foram instaurados 120.733 inquéritos em 2025 e 77.316 nos oito primeiros meses de 2026.
A Secretaria da Segurança Pública afirma que o combate à violência contra a mulher é prioridade. A pasta destaca ainda a existência de 144 DDMs e 220 Salas DDM para atendimento remoto.
Interior concentra crescimento
O levantamento do Instituto Sou da Paz aponta que o aumento dos feminicídios no primeiro semestre foi puxado principalmente pelo interior do estado. Na comparação com o primeiro semestre de 2022, São Paulo teve crescimento de 70% nos feminicídios.
No mesmo recorte, capital e Região Metropolitana registraram redução nas ocorrências. Os dados indicam que a discussão sobre atendimento especializado também envolve as áreas do interior, e não apenas a cidade de São Paulo.
Depois do recorde anual de 2025, o estado iniciou 2026 com outro recorde, desta vez no primeiro semestre. O resultado dos próximos cinco meses definirá se o ano terminará com uma nova marca anual.







