São Bernardo do Campo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

Propaganda de Tarcísio sobre tornozeleiras contrasta com dados de violência em SP

Menos de 0,5% dos agressores de mulheres usam o equipamento; feminicídios e recursos para atendimento também preocupam.

Tarcísio e Derrite mentem sobre monitorar quem bate em mulher: só 0,5% usam tornozeleira
Foto: Rogério Cassimiro/Governo de S. Paulo

A propaganda eleitoral de Tarcísio de Freitas sobre o monitoramento de agressores de mulheres não corresponde aos dados disponíveis. A peça afirma que, em São Paulo, todo agressor de mulher é monitorado com tornozeleira eletrônica. Levantamento divulgado neste sábado (26) aponta que menos de 0,5% dos agressores no estado usam o equipamento.

A tornozeleira não é colocada automaticamente. O monitoramento depende de uma decisão judicial. A própria campanha do governador reconheceu que medida protetiva não significa, por si só, o uso do dispositivo e que cabe à Justiça determinar a medida.

Feminicídios atingem recorde no primeiro semestre

Enquanto a tornozeleira é apresentada na campanha como símbolo de proteção, os registros de feminicídio aumentaram em São Paulo. No primeiro semestre de 2026, foram contabilizadas 141 ocorrências, contra 128 no mesmo período de 2025. Como uma das ocorrências teve duas vítimas, 142 mulheres foram assassinadas.

Esse foi o pior resultado para um primeiro semestre desde o início da série histórica, em 2018. No levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o estado aparece com 221 vítimas em 2023, 253 em 2024 e 270 em 2025. O último desses anos terminou com o maior número de feminicídios da série histórica.

A rede especializada de atendimento também tem limitações. Das 144 Delegacias de Defesa da Mulher existentes no estado, somente 20 funcionavam 24 horas, conforme levantamento divulgado em setembro. Entre janeiro de 2025 e agosto de 2026, essas unidades registraram 301.916 boletins de ocorrência, uma média superior a 20 registros por hora.

Parelheiros, no extremo sul da capital, não tem uma Delegacia de Defesa da Mulher. A unidade mais próxima fica em Santo Amaro.

Previsão de recursos cai em 2026

A proposta orçamentária encaminhada pelo governo Tarcísio para 2026 prevê R$ 16,5 milhões para a Secretaria de Políticas para as Mulheres. Na dotação inicial de 2025, estavam previstos R$ 36,2 milhões, uma redução de 54,4%.

Na ação específica de enfrentamento à violência contra a mulher, a previsão passou de R$ 10 milhões para R$ 1,64 milhão, queda de 83,6%.

A candidata a deputada estadual Keila Pereira (PCdoB) denunciou a falta de uma unidade especializada em Parelheiros e a redução dos recursos em um vídeo gravado na região. A coligação que apoia Tarcísio pediu à Justiça Eleitoral a retirada do material das redes sociais, sob a alegação de propaganda negativa.

A juíza Claudia Fonseca Fanucchi negou a retirada imediata. Para ela, o conteúdo estava inserido em uma manifestação política relacionada à crítica de políticas públicas e à proteção das mulheres.

Declarações de apoiadores

O debate também foi marcado por declarações ofensivas de Paulo Figueiredo, apoiador de Flávio Bolsonaro. Em junho, ele afirmou que mulheres votam mal, especialmente as solteiras, e disse que mulheres casadas tenderiam a acompanhar o voto dos maridos. Em seguida, reafirmou que continuaria fazendo essa afirmação.

Em julho, Figueiredo chamou jornalistas da GloboNews de “putas” e “prostitutas do Lula” e dirigiu uma ofensa sexual à jornalista Miriam Leitão. As declarações foram repudiadas pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e pelo Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal.

Jair Bolsonaro também acumulou declarações ofensivas contra mulheres e ataques a jornalistas. Em um dos casos, foi condenado pela Justiça paulista por ofensas à jornalista Patrícia Campos Mello.

Texto produzido pela Redação Finanças em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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