São Bernardo do Campo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

Jurista vê reajuste do Bolsa Família diferente da ampliação feita em 2022

Arthur Scatolini afirma que medida recompõe valores de programa existente, mas ainda deve seguir regras fiscais e de planejamento.

Jurista vê reajuste do Bolsa Família diferente da ampliação feita em 2022

O reajuste de 15% do Bolsa Família anunciado pelo governo nesta quinta-feira (17) é diferente da ampliação de benefícios sociais autorizada em 2022 e depois invalidada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), segundo Arthur Scatolini, doutor em Direito Econômico e Financeiro pela USP.

A avaliação considera que, em 2022, houve criação e ampliação de benefícios. Agora, o governo reajusta os valores de um programa já existente, sem alterar os critérios de acesso. Eventuais novos beneficiários entrariam pelas regras que já estavam em vigor.

Diferença entre aumento e reajuste

Scatolini afirma que os 15% devem ser entendidos como recomposição do poder de compra, já que o governo diz que o percentual corresponde à inflação acumulada. “Se ele corresponde à inflação, ele não é um aumento, ele é um reajuste”, afirmou.

Para o jurista, a proximidade das eleições, sozinha, não caracteriza o reajuste como uma medida eleitoreira. A análise, segundo ele, deve considerar se a decisão faz parte de uma política que já vinha sendo executada ou se representa uma mudança excepcional no fim do mandato.

Ele também diz que a autorização prevista na legislação do Bolsa Família não elimina a necessidade de observar o planejamento e as regras fiscais. “O administrador não faz o que ele quer, ele faz o que a lei manda”, declarou. Por isso, devem ser examinados os processos e estudos usados para definir o percentual.

Impacto nas contas públicas

O governo estima impacto de R$ 5,8 bilhões em 2026 e de R$ 22 bilhões em 2027. A previsão é que os valores sejam absorvidos dentro do espaço fiscal existente.

Na avaliação de Scatolini, a inclusão do gasto no planejamento para 2027 e a compatibilidade com o equilíbrio das contas são relevantes para verificar o cumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal. Ele afirma ainda que uma eventual compensação não precisa ocorrer por meio de um corte exatamente equivalente em outra despesa, porque receitas e gastos são estimados e ajustados durante a execução do orçamento.

Para o advogado, a medida deve ser avaliada em conjunto com a legislação, sua fundamentação, o histórico do Bolsa Família e o planejamento fiscal.

Texto produzido pela Redação Finanças em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Entre na nossa newsletterO melhor da semana, sem spam.

Em alta

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5