PEIXOTO DE AZEVEDO — O cacique Raoni Metuktire está sendo acompanhado em casa pela família e por uma equipe médica após exames confirmarem um adenocarcinoma pouco diferenciado no aparelho digestório. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (14) pelo Instituto Raoni, em uma publicação nas redes sociais.
A indicação por cuidados paliativos levou em conta a idade de Raoni, suas condições clínicas e os riscos associados a tratamentos mais agressivos. O acompanhamento busca controlar dores e outros sintomas, evitar complicações e manter a qualidade de vida.
Internações e procedimento
Ao longo de 2026, o cacique passou por internações, exames e agravamentos no quadro de saúde. Em junho, foi transferido em caráter de emergência para São Paulo depois de apresentar uma grave obstrução intestinal causada pelo tumor.
No Hospital São Paulo, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Raoni foi submetido a uma gastroenteroanastomose. O procedimento criou uma nova passagem para permitir o trânsito dos alimentos e melhorar as condições de alimentação e conforto.
A assistência atual reúne atendimento médico e de enfermagem, fisioterapia e cuidados com alimentação e hidratação. O comunicado também informa que o cuidado considera a dimensão espiritual de Raoni, que é pajé e recebe a presença e a atenção de pajés de sua confiança.
“Raoni é pajé e segue recebendo a presença e os cuidados de pajés de sua confiança”, diz o Instituto Raoni. A atenção, segundo o comunicado, respeita a cultura Mẽbêngôkre, a língua, as escolhas e as referências espirituais do cacique.
Raoni é uma das principais lideranças indígenas brasileiras. Há décadas, atua na defesa dos povos indígenas, dos territórios e da floresta. Sua trajetória teve reconhecimento internacional pela defesa da Amazônia e dos direitos indígenas.







