São Bernardo do Campo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

Protestos por moradia crescem em Madri após despejo de idosa

Manifestantes acamparam na Puerta del Sol e pedem proteção a inquilinos; advogados dizem que Maricarmen Abascal poderá voltar ao apartamento.

Protestos por moradia crescem em Madri após despejo de idosa

O despejo de Maricarmen Abascal, de 87 anos, provocou novos protestos contra a crise imobiliária na Espanha. Manifestantes passaram a noite acampados na praça Puerta del Sol e continuaram mobilizados no domingo (27) e nesta segunda-feira (28), com a participação de pessoas de várias gerações de uma mesma família.

No sábado (26), dezenas de milhares de pessoas marcharam por Madri. O grupo protestou contra a retirada de Abascal de um apartamento no bairro do Retiro, onde ela vivia havia mais de sete décadas. Nesta segunda-feira, os advogados da idosa informaram que chegaram a um acordo com a empresa dona do imóvel. Com isso, ela poderá voltar a morar no apartamento.

Os manifestantes pedem medidas mais rígidas de proteção aos inquilinos, ações contra fraudes e a proibição de despejos quando não houver outra moradia disponível. Parte dos participantes permaneceu na praça depois da marcha de sábado e montou barracas no local.

“A situação habitacional é insustentável”, disse Natalia Navarro, atriz de 27 anos que participou do acampamento. A porta-voz do Sindicato dos Inquilinos de Madri, Alicia del Río, afirmou que a mobilização continuará até que o governo aprove novas regras, incluindo contratos de aluguel por tempo indeterminado.

O caso de Maricarmen Abascal

Em 23 de setembro, Abascal foi retirada do apartamento em uma maca e levada para uma ambulância. A cena ocorreu enquanto apoiadores tentavam impedir o despejo e gritavam o nome dela. Depois, em um vídeo gravado do hospital, a idosa disse: “Não consegui defender minha casa, mas lutei para que outras pessoas aprendam a lutar pelo que é delas”.

As imagens se espalharam pela Espanha e alimentaram críticas às autoridades e às empresas de investimento imobiliário acusadas de pressionar moradores a deixar suas casas por causa dos preços. Simón de la Riva, professor de 43 anos que participou dos protestos, afirmou que o caso de Abascal foi o fator que desencadeou a mobilização social.

O pai de Abascal alugou o apartamento pela primeira vez em 1956. Depois da morte dos pais, ela continuou como inquilina sob o regime de controle de aluguéis. O prédio mudou de proprietário em 2018, e ela recebeu uma oferta para comprar o imóvel, mas não tinha condições financeiras para isso, segundo o Sindicato dos Inquilinos de Madri.

A Urbagestión, fundo de investimento que depois comprou o apartamento, elevou o aluguel mensal de 500 euros para 2 650 euros. Mais tarde, reduziu o valor para 1.650 euros, quantia que ainda não cabia no orçamento da aposentada.

Pressão sobre o governo espanhol

O primeiro-ministro Pedro Sánchez afirmou, durante um comício do Partido Socialista em Madri, que o governo trabalhava em um Decreto Real sobre habitação. A previsão era que novas medidas fossem anunciadas na reunião semanal do gabinete desta terça-feira (29).

Os manifestantes, porém, disseram que continuarão pressionando o governo. O projeto de uma nova lei não tem aprovação garantida no Parlamento, onde Sánchez não conta com maioria. A mobilização também chegou a Barcelona, onde um grupo bloqueou parte da Avenida Diagonal durante a participação do primeiro-ministro em uma cerimônia.

Faixas com a mensagem “Decreto Maricarmen já” foram exibidas nos atos. Os participantes também relataram dificuldades para encontrar moradia diante do aumento dos preços e da escassez de imóveis.

O Banco da Espanha estimou que o país tinha uma falta de cerca de 550 mil moradias no ano passado. Madri, Barcelona e Valência concentravam uma parcela significativa desse total. Em dez anos, o preço médio do metro quadrado do aluguel dobrou e chegou a 15,1 euros/m² em agosto, segundo o portal imobiliário Idealista. Na compra, o valor alcançou 2 355 euros, alta de mais de 50% no mesmo período, conforme dados oficiais.

A Espanha tem menos de 2% do parque habitacional formado por moradias públicas subsidiadas para aluguel, enquanto a média da União Europeia é de 8%. As manifestações na Puerta del Sol também lembraram os protestos iniciados em 15 de maio de 2011, quando integrantes do movimento dos indignados acamparam durante 28 dias.

Texto produzido pela Redação Finanças em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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