São Bernardo do Campo, Segunda-feira, 14 de setembro de 2026
Brasil

Documento ligado a aliado de Flávio prevê até US$ 100 bilhões em minerais raros

Apresentação propõe parceria entre Brasil e Estados Unidos para mineração, processamento e criação de empregos em um eventual governo do senador.

Terras raras: plano com marca de Flávio Bolsonaro prevê parceria com EUA
Foto: Divulgação

Um documento elaborado por André Marinho, candidato do Novo ao governo do Rio de Janeiro e aliado do senador Flávio Bolsonaro (PL), prevê uma parceria entre Brasil e Estados Unidos para explorar e processar minerais críticos e terras raras. A proposta foi preparada para um eventual governo de Flávio, embora Marinho negue qualquer vínculo do estudo com a campanha do senador.

Produzida em inglês, a apresentação tem 22 páginas e recebeu o título “Prosperity Partnership” (“Parceria para a Prosperidade”). A capa traz a inscrição “Flávio Bolsonaro | 2026 Campaign”. Nas demais páginas, o nome do senador aparece em uma logomarca acompanhada do slogan do documento.

Os metadados do arquivo identificam Marinho como autor. O documento é datado de 19 de março deste ano. Cerca de duas semanas depois, ele viajou aos Estados Unidos e se reuniu com o vice-presidente americano, J.D. Vance. Em maio, Flávio também esteve em Washington, onde encontrou Vance e o presidente Donald Trump.

Proposta de alinhamento com os Estados Unidos

O plano defende que o Brasil deixe de atuar apenas como exportador de matéria-prima e passe a processar os minerais no próprio país. Também propõe reduzir a dependência das cadeias chinesas e aproximar o Brasil dos Estados Unidos na formação de um sistema de abastecimento de minerais críticos.

A apresentação chama essa estratégia de “Flávio Bolsonaro Way” e prevê um “claro alinhamento ocidental”, aceleração regulatória, integração entre política industrial e mineração e atração de capital. O documento também sugere que os minerais críticos sejam considerados ativos de segurança nacional.

O material faz uma avaliação negativa da política do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o setor. A gestão é classificada como “pró-China” e associada a avanço regulatório lento, industrialização incerta e atração reativa de investimentos. O documento afirma que a continuidade de Lula poderia deixar o Brasil como fornecedor de matérias-primas para a China e reduzir oportunidades industriais.

Para os Estados Unidos, a proposta cita maior segurança no fornecimento de minerais usados, entre outros setores, em infraestrutura de inteligência artificial, sistemas de defesa, transição energética e mobilidade elétrica.

Estimativas de investimentos e empregos

A chamada “proposta estratégica” é organizada em seis pilares. Entre as medidas estão mudanças na legislação minerária e no licenciamento, garantia de demanda americana pelos minerais brasileiros, processamento nacional, associação entre capital dos Estados Unidos e ativos brasileiros e entrada do país em um bloco de fornecedores alinhados a Washington.

Em um horizonte de dez anos, o documento estima potencial de US$ 50 bilhões a US$ 100 bilhões em investimentos em mineração, refino e processamento. A projeção também indica a criação de 500 mil a 1 milhão de empregos e impacto de 1,5 a 2,5 pontos percentuais no Produto Interno Bruto (PIB).

Marinho nega ligação com a campanha

André Marinho afirma que produziu o estudo por iniciativa própria e que o arquivo estava armazenado em seu dispositivo. Ele também nega ter enviado ou apresentado o conteúdo a autoridades americanas e diz que a viagem aos Estados Unidos não teve relação com o documento.

“Esse estudo foi uma iniciativa exclusivamente minha e estava armazenado em meu dispositivo”, afirmou Marinho. Ele disse ainda que seu pai não teve acesso ao material e que não houve pedido, orientação ou iniciativa da campanha de Flávio Bolsonaro para a elaboração do plano.

Marinho também declarou que não tratou nem presenciou negociações sobre recursos estrangeiros para campanhas eleitorais no Brasil.

Texto produzido pela Redação Finanças em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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