Pelo menos 30 pessoas são mantidas em situação de desaparecimento forçado pelo governo da Nicarágua, segundo denúncia de um grupo de especialistas em direitos humanos da ONU. O relatório afirma que a prática é usada para “esmagar” a oposição e constitui crime contra a humanidade.
O documento registra 161 casos de desaparecimento forçado desde os protestos de 2018 e a morte de oito pessoas detidas por motivos políticos. Até 31 de agosto, o paradeiro de pelo menos 29 pessoas continuava desconhecido. Os especialistas alertam que o número pode ser maior.
A análise aponta uma mudança na forma de repressão. Segundo o grupo, os casos que começaram como desaparecimentos curtos, usados para punir presos e intimidar familiares, passaram a durar meses ou anos e atingem um grupo cada vez mais amplo de vítimas.
O relatório, chamado “Anatomia da crueldade estatal”, afirma que as ações envolveram várias instituições e uma cadeia de comando que chegaria às esferas mais altas do governo. Os crimes citados incluem encarceramento, tortura, atos desumanos e perseguição por motivos políticos.
Pedidos ao governo
O Grupo de Especialistas em Direitos Humanos sobre a Nicarágua pediu que o governo informe onde estão as pessoas desaparecidas, liberte os detidos por motivos políticos e investigue as mortes sob custódia estatal. Entre os mortos está Humberto Ortega, irmão do presidente Daniel Ortega, que morreu em 2024.
Ortega e a copresidente Rosario Murillo governam o país. O presidente voltou ao poder em 2007, depois de ter governado na década de 1980, e foi reeleito três vezes em votações contestadas.
O grupo foi criado em 2022 pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU para investigar violações e abusos cometidos na Nicarágua a partir de abril de 2018 e identificar os responsáveis.
Após a repressão aos protestos, milhares de nicaraguenses foram para o exílio. Nas últimas eleições, há cinco anos, opositores foram presos, e a Frente Sandinista de Libertação Nacional venceu sem adversários.
Em 1º de setembro, a Assembleia Legislativa aprovou uma reforma constitucional que proíbe a participação de opositores nas eleições e amplia o mandato presidencial de seis para sete anos.








