Mais de mil casos de violência sexual foram registrados desde o começo da guerra na Ucrânia, informou nesta sexta-feira (18) o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos. Do total, 89% foram atribuídos ao lado russo e 11% a ucranianos.
O levantamento reuniu entrevistas confidenciais com centenas de vítimas, além de documentos judiciais e registros oficiais. Ao todo, 1.004 casos foram documentados entre 24 de fevereiro de 2022, quando começou a ofensiva russa contra a Ucrânia, e o final de julho.
A ONU afirmou que os registros representam apenas uma parte dos casos existentes. Danielle Bell, chefe da Missão de Observação dos Direitos Humanos da ONU na Ucrânia, apresentou a avaliação a jornalistas em Genebra.
Vítimas e abusos registrados
A maior parte das vítimas é formada por homens, principalmente em centros de detenção. Mulheres e crianças também sofreram abusos, sobretudo em territórios ucranianos ocupados.
Os casos atribuídos ao lado russo envolveram particularmente integrantes das forças armadas, da administração penitenciária e dos serviços de segurança nacional. Entre as violações descritas estão estupros coletivos e individuais, mutilação genital, choques elétricos e agressões nos genitais, além de outros atos de natureza sexual considerados degradantes pela ONU.
“Estou profundamente alarmado com a prevalência desses atos atrozes”, afirmou Volker Türk, alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos. Ele também declarou temer a continuidade dos abusos durante a violência na Ucrânia.








