São Bernardo do Campo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

Obesidade passa de 7,8% para 27,7% entre adultos no Brasil

Estudo do GBD aponta avanço do excesso de peso e relaciona o cenário a mudanças na alimentação e à redução da atividade física.

Obesidade passa de 7,8% para 27,7% entre adultos no Brasil

A prevalência de obesidade entre adultos brasileiros com 25 anos ou mais passou de 7,8% para 27,7% entre 1990 e 2023, mostra estudo publicado neste mês na revista Lancet. O levantamento faz parte da série Carga Global de Doenças (GBD) e analisou 17 países latino-americanos. O Brasil registrou o maior crescimento entre os países pesquisados.

Quando são considerados juntos sobrepeso e obesidade, classificados como excesso de peso, o índice brasileiro subiu de 40,3%, em 1990, para 66,8%, em 2023. Isso significa que dois em três brasileiros estavam acima do peso considerado normal para a altura.

O Brasil e a Colômbia tiveram o maior crescimento na parcela da população com excesso de peso: 69%. Na América Latina, a alta média foi de 47% no período.

O que caracteriza sobrepeso e obesidade

A classificação é feita pelo índice de massa corporal (IMC), que relaciona peso e altura. O sobrepeso corresponde a um IMC entre 25,00 e 29,99. A obesidade é identificada quando o índice é de 30,00 ou mais.

Deborah Carvalho Malta, pesquisadora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) que participou do estudo, relaciona o aumento a mudanças na alimentação e na prática de exercícios físicos. Segundo ela, o Brasil vive uma transição nutricional: houve redução da desnutrição, mas também piora na qualidade dos alimentos consumidos.

Entre os fatores citados pela pesquisadora estão o maior consumo de produtos ultraprocessados e a queda no consumo de feijão, fonte de proteínas, fibras, vitaminas e minerais. Ela também aponta aumento do sedentarismo e maior exposição a telas de celulares, computadores e televisão.

Malta defende políticas para estimular a alimentação saudável, com aumento da taxação sobre ultraprocessados e redução de impostos sobre carnes, frutas, verduras, hortaliças, arroz e feijão. Ela também destaca a importância do aleitamento materno até os dois anos de idade e da oferta de alimentos saudáveis na merenda escolar.

A pesquisadora afirma que a atenção à obesidade deve começar na infância. O excesso de peso está ligado a doenças cardiovasculares, renais e osteomusculares, além de vários tipos de câncer. Também pode afetar a autoestima.

“É muito mais difícil você reverter uma obesidade adquirida na infância”, afirma Deborah. Para ela, a combinação entre alimentação inadequada e pouca atividade física tem papel determinante no aumento do excesso de peso.

Texto produzido pela Redação Finanças em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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