São Bernardo do Campo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

Instituto fundado por André Mendonça recebeu R$ 5,2 milhões da Cedro

Repasses ocorreram até o final de 2025 por meio de contrato de mútuo conversível; instituto começou a devolver os valores em janeiro deste ano.

Ex-parceiro de Vorcaro passou R$ 5 milhões a instituto criado por Mendonça
Foto: Rosinei Coutinho/STF

O Instituto Iter, fundado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), recebeu R$ 5,2 milhões da Cedro Participações, empresa de propriedade do empresário Lucas Kallas. Os repasses ocorreram até o final de 2025, quando Mendonça ainda fazia parte do instituto.

O dinheiro foi transferido por meio de um contrato de mútuo conversível, modalidade de empréstimo que permite ao investidor transformar o valor em ações ou quotas da empresa. O contrato previa um valor global de R$ 5,9 milhões.

A Cedro afirma que Kallas nunca foi sócio de Daniel Vorcaro. Os dois foram acionistas ao mesmo tempo de duas empresas de capital aberto. A empresa diz que a relação com negócios ligados ao ex-banqueiro se limitou a investimentos comuns em companhias abertas.

Devolução dos valores

O Iter interrompeu o recebimento dos recursos no final de 2025 e afirmou ter alcançado sustentabilidade financeira. Depois disso, um termo aditivo antecipou o vencimento da dívida e estabeleceu o ressarcimento dos valores com correção pela taxa Selic.

A devolução começou em janeiro deste ano. Até o momento, o instituto quitou cerca de 5,3% do total devido. Em fevereiro, André Mendonça foi sorteado relator do processo de investigação do Banco Master. Em setembro, deixou o quadro societário do Iter. A saída havia sido anunciada no último dia 3 de setembro.

As negociações foram conduzidas pelo presidente-executivo do Iter, o ex-ministro da Educação Victor Godoy Veiga. Ele tratou diretamente com os diretores de investimento e jurídico da Cedro, Carlos Adel de Freitas e Eduardo Soares de Couto.

O que dizem as instituições

O Iter afirma que André Mendonça e Lucas Kallas não participaram da definição dos termos, dos valores nem da assinatura do contrato. Segundo o instituto, o valor integral foi depositado na conta da pessoa jurídica e usado exclusivamente na estruturação e na operacionalização da entidade, com acompanhamento contábil e fiscal.

A instituição também diz que não distribuiu lucros, dividendos ou participações nos resultados a acionistas, sócios ou administradores. Afirma ainda que, durante a permanência de Mendonça, a atuação dele ficou restrita ao magistério acadêmico, sem contrapartida financeira.

O Iter declarou que Kallas integrava, na época da assinatura, o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável da Presidência da República e não tinha impedimentos legais. Também negou relação com o Banco Master ou com Daniel Vorcaro.

A Cedro sustenta que a compra de participações em companhias de capital aberto não configura sociedade comercial. A holding consolidou sua posição na Biomm em 2023 e entrou na Latache Capital entre 2024 e 2025. Em abril de 2026, deixou de ser sócia das duas companhias para concentrar os investimentos no setor de mineração. A empresa também informou que Kallas deixou, em definitivo e em 2017, o negócio investigado na Operação Parcours.

Texto produzido pela Redação Finanças em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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