São Bernardo do Campo, Terça-feira, 15 de setembro de 2026
Brasil

Polícia indicia três por desabamento que matou seis na Penha

Responsável legal, engenheiro e suposto sócio oculto da construtora são investigados por homicídio com dolo eventual.

Polícia indicia três por desabamento que matou seis na Penha

Três pessoas foram indiciadas por homicídio com dolo eventual após o desabamento de um prédio em construção que matou seis pessoas na Penha, zona leste de São Paulo, no sábado (12). A estrutura caiu sobre uma casa, onde estavam as vítimas.

São investigados Isis de Freitas Rodrigues Brandão, responsável legal pela construtora New Home; Cristiano Salgado Vivacqua, engenheiro responsável pela obra; e Ronaldo dos Santos Vivacqua, pai de Cristiano e apontado pela polícia como sócio oculto da empresa. Ronaldo está preso e nega envolvimento com a New Home. Cristiano e Isis estão foragidos.

Testemunhas ouvidas pela polícia afirmaram que Ronaldo tinha influência nas atividades da construtora. Segundo as investigações, ele participava da venda de apartamentos e era visto com frequência nos locais das obras.

Servidora também é investigada

Viviane Rodrigues de Palma, servidora da Prefeitura de São Paulo, também é investigada. Ela assinou, em 2024, um laudo que permitiu a continuidade da obra e foi ouvida pela polícia nesta terça-feira (15).

De acordo com a delegada Deidiene Fialho, do 24° DP, Viviane afirmou que foi ao local apenas para verificar se a estrutura anterior havia sido demolida, exigência para a liberação do alvará. Ela disse que não entrou no prédio, não encontrou pessoas na construção e alegou ter sido enganada por Cristiano.

A Controladoria-Geral do Município (CGM) de São Paulo também apura os procedimentos de fiscalização. Viviane já havia sido afastada por 30 dias após a Prefeitura identificar indícios relacionados à demolição. Depois do depoimento, o afastamento foi prorrogado por 120 dias.

Obra tinha histórico de fiscalizações

A construção começou em 2019 e, segundo a Prefeitura, não tinha alvará. O empreendimento recebeu multas e foi interditado. Em 2021, a Procuradoria-Geral do Município conseguiu uma liminar que determinava a paralisação imediata dos trabalhos.

Um novo projeto foi apresentado em 2022. O alvará saiu em agosto de 2023, com a exigência de demolição da estrutura anterior. Em 2024, Viviane assinou um laudo que apontava o cumprimento dessa condição.

A queda ocorreu na madrugada do último sábado, na Rua Tequici. A casa atingida também desabou. Seis moradores morreram, entre eles uma mulher grávida. Outras duas pessoas, incluindo um bebê, foram resgatadas com vida e levadas ao hospital municipal do Tatuapé.

Até agora, 12 pessoas foram ouvidas. A perícia que deve indicar as causas do desabamento tem previsão de ficar pronta em 30 dias. A delegada afirmou que outras pessoas serão ouvidas e que não está descartada a investigação de envolvidos na construção e na aprovação administrativa do prédio.

A New Home Construtora abriu uma investigação interna. A empresa declarou que não havia elementos para atribuir o acidente somente à construtora, afirmou que não se isenta de possíveis responsabilidades e disse que uma movimentação de terra em um terreno vizinho também será analisada.

Texto produzido pela Redação Finanças em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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