Três pessoas foram indiciadas por homicídio com dolo eventual após o desabamento de um prédio em construção que matou seis pessoas na Penha, zona leste de São Paulo, no sábado (12). A estrutura caiu sobre uma casa, onde estavam as vítimas.
São investigados Isis de Freitas Rodrigues Brandão, responsável legal pela construtora New Home; Cristiano Salgado Vivacqua, engenheiro responsável pela obra; e Ronaldo dos Santos Vivacqua, pai de Cristiano e apontado pela polícia como sócio oculto da empresa. Ronaldo está preso e nega envolvimento com a New Home. Cristiano e Isis estão foragidos.
Testemunhas ouvidas pela polícia afirmaram que Ronaldo tinha influência nas atividades da construtora. Segundo as investigações, ele participava da venda de apartamentos e era visto com frequência nos locais das obras.
Servidora também é investigada
Viviane Rodrigues de Palma, servidora da Prefeitura de São Paulo, também é investigada. Ela assinou, em 2024, um laudo que permitiu a continuidade da obra e foi ouvida pela polícia nesta terça-feira (15).
De acordo com a delegada Deidiene Fialho, do 24° DP, Viviane afirmou que foi ao local apenas para verificar se a estrutura anterior havia sido demolida, exigência para a liberação do alvará. Ela disse que não entrou no prédio, não encontrou pessoas na construção e alegou ter sido enganada por Cristiano.
A Controladoria-Geral do Município (CGM) de São Paulo também apura os procedimentos de fiscalização. Viviane já havia sido afastada por 30 dias após a Prefeitura identificar indícios relacionados à demolição. Depois do depoimento, o afastamento foi prorrogado por 120 dias.
Obra tinha histórico de fiscalizações
A construção começou em 2019 e, segundo a Prefeitura, não tinha alvará. O empreendimento recebeu multas e foi interditado. Em 2021, a Procuradoria-Geral do Município conseguiu uma liminar que determinava a paralisação imediata dos trabalhos.
Um novo projeto foi apresentado em 2022. O alvará saiu em agosto de 2023, com a exigência de demolição da estrutura anterior. Em 2024, Viviane assinou um laudo que apontava o cumprimento dessa condição.
A queda ocorreu na madrugada do último sábado, na Rua Tequici. A casa atingida também desabou. Seis moradores morreram, entre eles uma mulher grávida. Outras duas pessoas, incluindo um bebê, foram resgatadas com vida e levadas ao hospital municipal do Tatuapé.
Até agora, 12 pessoas foram ouvidas. A perícia que deve indicar as causas do desabamento tem previsão de ficar pronta em 30 dias. A delegada afirmou que outras pessoas serão ouvidas e que não está descartada a investigação de envolvidos na construção e na aprovação administrativa do prédio.
A New Home Construtora abriu uma investigação interna. A empresa declarou que não havia elementos para atribuir o acidente somente à construtora, afirmou que não se isenta de possíveis responsabilidades e disse que uma movimentação de terra em um terreno vizinho também será analisada.







