São Bernardo do Campo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

FDA aprova apitegromabe para combater perda muscular na AME

Medicamento foi aprovado para adultos e crianças a partir de 2 anos e também é estudado para preservar músculos durante o emagrecimento.

FDA aprova apitegromabe para combater perda muscular na AME

A FDA, agência que regula medicamentos nos Estados Unidos, aprovou na última sexta-feira o apitegromabe, primeiro tratamento para atrofia muscular espinhal (AME) criado para agir diretamente contra a perda muscular. O medicamento será vendido como Isembyld e é produzido pela farmacêutica Scholar Rock.

A injeção é um anticorpo monoclonal que bloqueia a ação da miostatina, proteína envolvida na degradação dos músculos. A autorização vale para adultos e pacientes pediátricos a partir de 2 anos que também estejam recebendo tratamento direcionado ao gene SMN2.

Como o medicamento atua

A miostatina funciona como um freio do crescimento muscular. Ela reduz a produção de novas proteínas musculares, acelera a degradação das proteínas existentes e inibe células-tronco que ajudam na recuperação e no crescimento do músculo.

O apitegromabe se liga à forma ainda inativa da miostatina e impede sua ativação. Assim, em vez de agir no sistema nervoso, como fazem os tratamentos voltados ao gene SMN2, o medicamento atua diretamente no músculo.

A AME é uma doença genética e rara causada por um defeito no gene SMN1. A condição atinge cerca de 1 a cada 10 mil nascidos vivos e está entre as principais causas genéticas de morte na infância. Sem a proteína produzida pelo SMN1, os neurônios motores deixam de funcionar, e os músculos enfraquecem e atrofiam.

Os tratamentos direcionados ao SMN2 melhoraram os resultados de muitos pacientes, mas pessoas com a doença em estágio mais avançado ainda podem ter limitações motoras importantes, como dificuldade para caminhar ou se mover sem ajuda. A nova terapia foi indicada para esse grupo em conjunto com o tratamento já aprovado.

A eficácia e a segurança foram avaliadas em um estudo de 52 semanas com 188 participantes de 2 a 21 anos que não conseguiam caminhar ou se mover de forma independente. Todos já recebiam uma terapia voltada ao SMN2.

Os participantes receberam Isembyld 10 mg/kg, Isembyld 20 mg/kg ou placebo, por infusão intravenosa uma vez a cada quatro semanas, durante aproximadamente um ano. A análise principal considerou 156 pacientes de 2 a 12 anos.

Ao final de um ano, o grupo que recebeu Isembyld 10 mg/kg apresentou melhora na função motora, enquanto o grupo placebo teve declínio. A probabilidade de melhora clinicamente significativa foi mais de duas vezes maior entre os pacientes tratados.

As reações adversas mais comuns incluíram infecções do trato respiratório superior, vômitos, tosse, outras infecções virais, dor de cabeça, gastroenterite e faringite. Também foi observado risco aumentado de fraturas, inclusive graves. O medicamento pode causar danos ao feto e afetar a função reprodutiva.

Estudos para preservar músculos no emagrecimento

A Scholar Rock também testa o apitegromabe para evitar a perda de massa magra durante o uso de canetas emagrecedoras. Em um estudo com 102 adultos com sobrepeso ou obesidade, um grupo recebeu apenas tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, e outro recebeu a combinação da tirzepatida com o apitegromabe durante 24 semanas.

A perda total de peso foi semelhante nos dois grupos. Porém, a massa magra representou 14,6% da redução entre os participantes que receberam apitegromabe, contra 30,2% no grupo placebo. Em média, quem recebeu o medicamento perdeu 1,9 kg menos de massa magra, o que correspondeu a uma retenção 54,9% maior de músculos.

Esse estudo foi de fase 2 e teve resultados publicados na revista Nature Medicine. O apitegromabe foi bem tolerado, com taxas semelhantes de eventos adversos entre os grupos. Ainda são necessários testes de fase 3 para que o medicamento possa ser autorizado pela FDA ou por agências como a Anvisa para o tratamento da obesidade.

A Scholar Rock busca parcerias para realizar essa etapa e avaliar a preservação e a recuperação de massa muscular em combinação com a tirzepatida. O uso fora da bula, chamado de offlabel, pode ocorrer após a aprovação para AME, mas o tratamento deve ter custo elevado: cerca de US$ 310 mil por ano, aproximadamente R$ 1,7 milhão, para um paciente típico.

O endocrinologista Ramon Marcelino, doutor pela Faculdade de Medicina da USP e membro do corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês, afirmou que ainda não existe indicação aprovada de inibidores de miostatina para obesidade. Ele também disse que o uso fora da bula sem estudos que comprovem segurança não é recomendado.

Outro medicamento em testes é o bimagrumabe. Resultados de fase 2 publicados na Nature Medicine em março deste ano indicaram que sua combinação com semaglutida, princípio ativo de Ozempic e Wegovy, levou a uma perda de 22,1% do peso após 72 semanas, com menos de 10% composto por massa muscular.

Texto produzido pela Redação Finanças em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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