A retatrutida, medicamento da Eli Lilly que ainda está em desenvolvimento para obesidade e diabetes, levou a uma redução média de até 23,4% do peso em participantes com diabetes tipo 2 e obesidade severa. O resultado foi observado com a dose de 12 mg em pessoas com IMC inicial igual ou superior a 35.
Os dados fazem parte do estudo TRIUMPH-2, apresentado na 62ª Reunião Anual da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes, em Milão, na Itália. Os resultados também foram publicados na revista científica The Lancet.
Perda de peso e controle da glicose
Os participantes receberam doses de 4 mg, 9 mg ou 12 mg da retatrutida. A perda média foi de 13,5 kg (12,7%) com 4 mg, 20,6 kg (19,1%) com 9 mg e 22,5 kg (20,8%) com 12 mg.
Entre as pessoas com IMC inicial igual ou superior a 35, a dose de 12 mg levou a uma perda média de 27,5 kg (23,4%). Ao fim do estudo, 59,5% dos participantes que receberam essa dose já não atendiam aos critérios de IMC para obesidade.
A medicação também reduziu a hemoglobina glicada A1C, indicador usado no controle do diabetes. A queda média foi de 1,4% com 4 mg, 1,6% com 9 mg e 1,5% com 12 mg. Até 40% dos participantes atingiram um nível glicêmico considerado normal.
Para comparação, dados de uma fase 3 do estudo clínico do Mounjaro apontaram redução média de peso de 19,5% com 10 mg e de 20,9% com 15 mg em adultos com obesidade.
Outros efeitos e reações observadas
Na dose mais alta, a retatrutida também reduziu, em média, os triglicerídeos em 39,5%, o colesterol não-HDL em 19,6%, a pressão arterial sistólica em 10,8 mmHg, a circunferência da cintura em 16,9 cm e a proteína C-reativa de alta sensibilidade em 58,3%.
As reações adversas mais comuns foram diarreia, náusea, constipação, diminuição do apetite e vômito. Também foram observadas disestesia e infecções do trato urinário. Esses eventos foram geralmente leves a moderados, e a maioria desapareceu durante o tratamento.
Juan P. Frías, diretor médico e investigador principal do Los Angeles Institute for Metabolic Research, afirmou que a retatrutida reduziu o peso e a glicemia no estudo. Kenneth Custer, vice-presidente executivo e presidente da Lilly Cardiometabolic Health, disse que o medicamento pode se tornar uma opção para pessoas com diabetes tipo 2 e obesidade.
Como foi o estudo
O TRIUMPH-2 é um teste clínico de fase 3 que avaliou a eficácia e a segurança da retatrutida semanal em comparação com placebo. Participaram cerca de 1.152 pessoas, distribuídas aleatoriamente entre as doses de 4 mg, 9 mg, 12 mg ou placebo.
O tratamento começou com 2 mg uma vez por semana. A dose foi aumentada a cada quatro semanas até chegar à quantidade prevista para cada grupo. Os participantes foram avaliados ao longo de 80 semanas, com acompanhamento por mais 4 semanas depois do tratamento.
A Eli Lilly informou que planeja pedir a aprovação do medicamento à FDA, agência que regula remédios nos Estados Unidos, no primeiro trimestre de 2027. A empresa também avalia a retatrutida para apneia obstrutiva do sono moderada a grave e dor por osteoartrite de joelho. Esse programa reúne quatro ensaios regulatórios globais e já incluiu mais de 5.800 participantes.
A retatrutida é um triplo agonista que simula a ação dos hormônios GLP-1, GIP e glucagon. A classe dos análogos de GLP-1 atua na produção de insulina, na velocidade da digestão e na sensação de saciedade. A semaglutida, presente no Ozempic e no Wegovy, simula o GLP-1. Já a tirzepatida, do Mounjaro, simula o GLP-1 e o GIP.








