SÃO PAULO — A rede estadual de São Paulo registrou queda no desempenho do Ensino Médio e redução no número de matrículas, enquanto professores e entidades sindicais questionam políticas adotadas pelo governo Tarcísio de Freitas (Republicanos). A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) afirma que os resultados mostram avanço e que medidas de acompanhamento ampliaram a presença dos estudantes nas escolas.
O Ministério da Educação informou que a rede paulista alcançou média de 4,3 no Ensino Médio regular no Ideb 2025. O estado ficou na 10ª colocação nacional, depois de ocupar a 8ª posição em 2023. No Ensino Médio integrado à educação profissional, a média foi de 4,5, com o estado na 8ª posição. Os índices continuaram abaixo dos registrados em 2019.
Entre 2024 e 2025, a rede estadual perdeu 256,9 mil estudantes do Ensino Médio, uma queda de 17%. A redução foi de 8,3% no 1º ano, 18,5% no 2º e 25% no 3º ano. Professora Bebel, deputada estadual e presidenta licenciada da Apeoesp, relaciona o recuo à expansão do Programa Ensino Integral sem bolsas de permanência, além da diminuição de turmas noturnas e da Educação de Jovens e Adultos.
A Seduc-SP afirma que o abandono escolar caiu para 3,5% e que ações de busca ativa ajudaram a levar cerca de 300 mil alunos a mais diariamente às salas de aula. A pasta também aponta frequência escolar de 91,1% em 2025.
Escolas cívico-militares e PPPs
O Programa de Escolas Cívico-Militares alcança 100 unidades em 88 municípios. Levantamento baseado em dados oficiais indicou que 74 dessas escolas já tinham desempenho acima da média estadual no Ideb antes da adesão.
Em fevereiro, a 13ª Vara de Fazenda Pública da Capital suspendeu trechos do regimento do programa em uma ação do Ministério Público de São Paulo e da Defensoria Pública. A decisão proibiu policiais militares de ministrar aulas ou substituir professores em funções disciplinares. A Seduc-SP afirma que a gestão pedagógica continua sob responsabilidade dos profissionais da educação e que as diretrizes foram atualizadas para garantir direitos fundamentais e impedir discriminação.
Também avançou o projeto de Parceria Público-Privada para construir e administrar 33 escolas em 29 municípios. Segundo a secretaria, a concessionária ficará responsável pela administração predial e pela manutenção física, sem interferência no currículo ou nas diretrizes pedagógicas.
Plataformas digitais e trabalho docente
Aplicativos como Leia, Matific e Elefante Letrado fazem parte da rotina da rede. A Seduc-SP informa que 100% das escolas têm conexão com velocidade mínima de 100 Mbps e que 13,9 mil profissionais participaram de formações tecnológicas em 2026.
Pesquisa da Fundacentro com entidades de saúde e educação apontou que 97,6% dos profissionais entrevistados associam o adoecimento mental e físico às exigências do trabalho digitalizado. Fernando Cássio, professor da Faculdade de Educação da USP e integrante da Repu, afirma que estudos da rede não identificaram relação entre o uso das plataformas e a melhora do desempenho dos estudantes.
Professores também relatam falta de equipamentos e dificuldades para cumprir as atividades digitais. Um docente do Grajaú afirmou: “O dia a dia vira quase uma fábrica de produzir atividades digitais e o processo de aprendizagem é ignorado”.
Salários e educação inclusiva
A Seduc-SP diz que paga o piso nacional do magistério por meio de abono complementar. A pasta informa que 70,6% das horas/aula são dadas por professores efetivos e que 17,1 mil aprovados no concurso de 2023 foram nomeados. Outro concurso foi autorizado para 5 mil vagas, com ingresso em 2028.
Professora Bebel critica a manutenção do abono e a quantidade de temporários da Categoria O. Ela afirma que existem 146 mil cargos vagos e 140 mil aprovados aguardando convocação.
Na educação inclusiva, Bebel e a professora Janaína de Paula relatam dificuldades para atender estudantes neurodivergentes e com deficiência. A Seduc-SP informa que a rede tem 24.231 professores de Atendimento Educacional Especializado e 25.648 profissionais de apoio escolar. A previsão é incluir mais 21 mil profissionais de apoio no segundo semestre de 2026.








