Walter Maciel, CEO da AZ Quest, ampliou sua presença nas redes sociais ao transformar o incômodo com a política e a economia em um dos principais temas de seus vídeos. Nos últimos 18 meses, ele passou a reunir mais de 400 mil seguidores e a defender uma mudança de Governo, citando os rumos da economia como principal motivação.
Maciel começou publicando conteúdos sobre investimentos, economia e sua rotina como gestor. Depois, decidiu falar também de política ao concluir que não era possível discutir a economia sem tratar das decisões tomadas em Brasília. Ele afirma ter diferenças éticas e morais com o PT e diz temer que o País entre em dominância fiscal.
“Não dá para falar de economia sem falar do que o Governo está fazendo”, disse Maciel.
Política, cultura e filosofia
O conteúdo do executivo não se limita à política. Ele já publicou vídeos sobre a ética de Clint Eastwood em Unforgiven, as lições de Muito Além do Jardim, último filme estrelado por Peter Sellers, e o estoicismo.
Um dos vídeos de maior repercussão foi uma crítica ao ministro Flávio Dino. Maciel afirmou que Dino citou Aristóteles de forma equivocada durante uma sessão do STF. Segundo ele, a frase mencionada pelo ministro é de Górgias, um sofista. O vídeo foi visto por mais de 3 milhões de pessoas e levou Dino a se manifestar, dizendo ter sido alvo de preconceito “regional e racista” por ser do Maranhão.
Nas redes, Maciel também mantém os quadros “Vou dizer o que precisa ser dito”, “Bônus Cultural” e “Economia sem jargão”. No último, explica temas como inflação e dominância fiscal. Ele escreve os textos e grava os vídeos sozinho, usando seu celular; uma equipe faz a edição final.
Trajetória na AZ Quest
Formado em economia pela PUC-Rio, onde foi aluno de Gustavo Franco, Edmar Bacha e Dionisio Dias Carneiro, Maciel começou no mercado na mesa internacional e na tesouraria do Safra. Depois, trabalhou no Banco Garantia.
Ele entrou na AZ Quest em 2006, quando a gestora administrava R$ 200 milhões e tinha um fundo macro. Três anos depois, os recursos sob gestão chegaram a R$ 3,5 bilhões, mas a crise de 2008 provocou a saída de praticamente todos os recursos dos quatro maiores clientes. O patrimônio caiu para R$ 500 milhões.
Maciel diz ter aprendido que a empresa não poderia depender de um cliente, de um produto ou de um único gestor estrela. Hoje, a AZ Quest administra R$ 38 bilhões em 18 estratégias e 180 produtos, com mais de 350 mil investidores entre pessoas físicas e fundos.
Embora apoie Flávio Bolsonaro no primeiro turno, Maciel nunca foi filiado a um partido. Ele diz que pretende continuar no Brasil e seguir falando sobre o que pensa, afirmando que não busca nada para si.








