A produção industrial brasileira teve em agosto o pior desempenho para o mês em 11 anos, informou a Confederação Nacional da Indústria (CNI). O índice de evolução da produção caiu 4,7 pontos, de 51 para 46,3 pontos.
Abaixo de 50 pontos, o indicador aponta queda da produção. Foi a segunda vez nos últimos 11 anos que isso aconteceu em agosto. A outra ocorrência foi em 2025. Desde 2015, o índice costumava ficar acima desse nível no mês.
A Sondagem Industrial ouviu 1.403 empresas pequenas, médias e grandes entre 1º e 11 de setembro.
Queda também aparece no emprego e nos estoques
A utilização da capacidade instalada das fábricas recuou 1 ponto percentual, para 69%. O resultado ficou 2 pontos percentuais abaixo da média dos meses de agosto.
O indicador de evolução do número de empregados caiu de 48,6 para 48,2 pontos e continuou abaixo de 50, sinalizando redução no emprego industrial. Já o índice de estoques de produtos finais passou de 51 para 49,5 pontos, indicando diminuição entre julho e agosto.
Segundo a CNI, a redução da produção está ligada à menor demanda por produtos industriais e ao aumento das incertezas no cenário econômico.
Intenção de investimento recua
A intenção de investimento das empresas caiu 1,3 ponto em setembro, de 52,6 para 51,3 pontos. Esse foi o menor nível desde agosto de 2020 e a quarta queda seguida, em uma sequência iniciada em maio. No período, o indicador acumulou recuo de 3,5 pontos.
Para Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, o resultado reflete a perda de ritmo da atividade industrial e o aumento das incertezas.
As expectativas para os próximos seis meses também pioraram nos quatro indicadores pesquisados. A previsão para a demanda por produtos caiu 1,4 ponto, para 51,2. A expectativa de compra de insumos e matérias-primas recuou 0,8 ponto, para 50,4.
A quantidade exportada diminuiu 0,6 ponto, para 48,9, enquanto a previsão para o número de empregados caiu 0,2 ponto, para 49,2. As empresas ainda esperam crescimento na demanda e na compra de insumos, porque os dois índices permanecem acima de 50. Para exportações e emprego, os indicadores ficaram abaixo desse nível.
Reflexo no PIB
O desempenho da indústria influencia o Produto Interno Bruto (PIB), que reúne o valor dos bens e serviços produzidos no país e mede a atividade econômica.
No segundo trimestre de 2026, o PIB cresceu 0,5% em relação ao primeiro trimestre, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado foi menor que a alta de 1,1% registrada nos três primeiros meses do ano.
Entre janeiro e março, a indústria avançou 1%, a agropecuária cresceu 2% e os serviços tiveram alta de 0,5%.







