RIO DE JANEIRO — O exoplaneta GJ 1002b foi apontado como o corpo celeste mais parecido com a Terra entre oito selecionados em uma pesquisa do Observatório Nacional. O estudo estima 98% de similaridade com o nosso planeta, mas não afirma que exista vida no local.
O GJ 1002b foi descoberto em 2022 e está a 16 anos-luz da Terra. Ele gira ao redor de uma estrela anã-vermelha, do tipo M, que é mais fria que o Sol. Uma volta completa dura 10 dias.
A pesquisa foi conduzida por Fábio Calabrio Evangelista da Silva, com orientação do professor Marcelo Borges Fernandes. Para chegar aos oito exoplanetas, Silva avaliou dados de mais de 6 mil corpos localizados fora do Sistema Solar em um banco da Nasa.
Entre os critérios usados estavam o raio, a densidade e a distância em relação à estrela. Também foram consideradas estimativas sobre a atmosfera, a pressão e a temperatura da superfície. Os planetas escolhidos têm características semelhantes às da Terra e ficam na chamada zona de habitabilidade.
Essa região é considerada adequada à existência de água em estado líquido porque não fica perto demais nem longe demais da estrela. “A Terra é o único exemplo que a gente vai ter, por enquanto, para se definir vida, para se definir quais são as características necessárias para se ter água líquida”, afirmou Silva.
O pesquisador apresentou o trabalho nesta semana, durante a 6ª edição do Astrobion, evento de astrobiologia organizado pelo Observatório Nacional.
A semelhança com a Terra, porém, não é uma confirmação de vida. Marcelo Borges Fernandes ressaltou que podem existir outras formas de vida no universo, com necessidades químicas e físicas diferentes das conhecidas pelos cientistas.
Como os cientistas procuram sinais de vida
A análise de exoplanetas é feita a partir da observação da luz da estrela que eles orbitam. Quando o planeta passa em frente dela, equipamentos como o telescópio James Webb conseguem identificar alterações na luz ao interagir com a atmosfera do corpo celeste.
Os cientistas procuram bioassinaturas: substâncias ou combinações de substâncias que, na Terra, costumam ser produzidas por mecanismos biológicos. A presença de metano e oxigênio ao mesmo tempo é um exemplo citado pelos pesquisadores.
Mesmo assim, uma molécula encontrada isoladamente não confirma a existência de seres vivos. O pesquisador do Laboratório Analítico de Astrobiologia da Nasa José Aponte explicou que são necessárias várias linhas de evidência. Entre elas estão a repetição das moléculas em diferentes medições, a predominância de um tipo de quiralidade e a análise de isótopos.
Moléculas orgânicas também não são, sozinhas, provas de vida. Amostras do asteroide Bennu, analisadas por cientistas, continham aminoácidos e componentes ligados aos ácidos nucleicos. Essas substâncias, no entanto, podem ser formadas sem a participação de organismos, por processos químicos ou pela radiação.
A busca continua com missões previstas para o Sistema Solar. A Europa Clipper deve chegar, em 2030, à Europa, lua de Júpiter. A missão Dragonfly deverá ser lançada em 2028 para Titan, uma lua de Saturno, e a chegada está prevista para 2034. Também há interesse em Enceladus e Marte, onde podem existir ambientes com água sob o gelo ou no subsolo.







