A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou nesta terça-feira (22) que o El Niño representa uma grande ameaça à saúde pública. O fenômeno pode provocar ondas de calor, piorar algumas doenças, reduzir a qualidade do ar por causa de incêndios florestais e favorecer surtos de desnutrição e cólera ligados a secas e inundações.
As chuvas intensas e as enchentes associadas ao El Niño também podem ampliar a transmissão de doenças causadas por mosquitos, como malária, dengue e chikungunya.
Durante uma coletiva de imprensa em Genebra, Teresa Zakaria, chefe da Unidade de Redução de Riscos de Desastres, Operações Humanitárias e Mudanças Climáticas da OMS, afirmou que os efeitos sobre a saúde podem ser antecipados. “Temos uma janela de oportunidade para agir agora”, disse.
A OMS recomenda que os países preparem melhor os sistemas de saúde, reforcem a vigilância epidemiológica, garantam o atendimento e armazenem material médico nas áreas com maior risco. Zakaria também defendeu medidas preventivas para evitar mortes.
Possíveis efeitos no mundo
A entidade espera consequências para a saúde em todo o mundo. O episódio atual do El Niño pode ser o mais intenso desde o início dos registros, há quatro décadas, segundo alerta feito pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) da ONU no início de setembro.
Os efeitos já começaram a ser sentidos e devem se intensificar, explicou Armel Castellan, assessor do escritório conjunto da OMM e da OMS. De acordo com ele, o fenômeno agrava os impactos das mudanças climáticas causadas pela atividade humana, que também intensificam eventos climáticos extremos.
Castellan afirmou que o El Niño ocorre em um período em que as temperaturas de referência já estão muito altas em todo o planeta. Para ele, essa combinação representa “um golpe duplo”.








