BRASÍLIA — Representantes do Ministério da Saúde e do National Institute for Health and Care Excellence (NICE), do Reino Unido, discutiram modelos de negociação de preços e sua possível aplicação no Sistema Único de Saúde (SUS). O encontro ocorreu nesta semana, em uma oficina sobre incorporação de tecnologias e acordos comerciais.
A iniciativa foi organizada pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (SCTIE/MS) e faz parte da cooperação firmada com o NICE em dezembro de 2025. Também participaram o Departamento de Gestão e Incorporação de Tecnologias em Saúde (DGITS/SCTIE/MS), responsável pela Secretaria-Executiva da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), e outras áreas do Ministério da Saúde.
A proposta foi avaliar como a negociação pode usar as informações reunidas na avaliação de tecnologias em saúde (ATS). A Conitec considera evidências de eficácia, segurança, custo-efetividade e impacto orçamentário em cada processo. A intenção é ampliar o uso desses dados na definição de preços, inclusive pelo comitê de negociação de preços do SUS, criado recentemente.
No Reino Unido, a análise do NICE sobre o valor clínico e econômico de uma tecnologia serve de base para acordos com empresas. A diretora do DGITS, Luciene Bonan, disse que a atividade permitiu conhecer experiências e dificuldades enfrentadas pelo instituto, que trabalha com ATS há mais de 25 anos.
“Foram dois dias em que o NICE fez uma oficina de simulação de negociação de preço e trouxe informações técnicas e práticas”, afirmou Luciene. Segundo ela, as atividades contribuíram para o aprimoramento das ações do Ministério da Saúde.
A programação abordou a seleção dos temas que seguem para negociação, marcos regulatórios, prazos, impasses comerciais com fornecedores, modelagem e implementação. O diretor associado da Equipe de Ligação Comercial do NICE, David Thompson, afirmou que os contratos de desconto devem ser estruturados com informações robustas, possibilidade de modelagem matemática e demonstração de custo-efetividade.
Ele também destacou que a negociação precisa acompanhar a avaliação para não interromper os cronogramas de acesso e permitir que as recomendações cheguem aos pacientes como benefício real.








