São Bernardo do Campo, Sexta-feira, 2 de outubro de 2026
Finanças

Ultrapar prepara nova faixa de dívida e mantém dividendos como alternativa

Companhia pretende equilibrar expansão, aquisições e pagamentos aos acionistas, com alavancagem entre 1x e 1,5x nos próximos cinco anos.

Ultrapar prepara nova faixa de dívida e mantém dividendos como alternativa

A Ultrapar vai apresentar uma nova faixa de alavancagem para os próximos cinco anos, entre 1x e 1,5x de dívida líquida sobre EBITDA. A proposta faz parte da estratégia de uso do capital da companhia, que também prevê crescimento orgânico, aquisições e retorno aos acionistas.

No fim do primeiro semestre, o indicador estava em 0,9x, abaixo dos 2,9x registrados em 2021. Desde 2021, a empresa gerou R$ 33,9 bilhões com fluxo de caixa operacional e desinvestimentos. Com uma estrutura financeira mais forte, a Ultrapar afirma ter espaço para voltar a investir mais sem abandonar o controle da dívida.

Crescimento sem obrigação de comprar

O CEO Rodrigo Pizzinatto disse que a empresa não pretende fechar negócios apenas para acelerar o crescimento. Nos últimos cinco anos, a Ultrapar avaliou mais de 100 transações e concluiu 14.

“Não precisamos fazer uma transação pela transação”, disse Pizzinatto. Segundo ele, uma aquisição precisa considerar preço, risco e governança. Quando a combinação não oferecer uma perspectiva adequada de retorno, a alternativa pode ser elevar o pagamento de dividendos.

A companhia avalia oportunidades principalmente em infraestrutura, logística e energia. Para decidir se entra em um novo negócio, considera três pontos: os fundamentos e a perspectiva de expansão do setor; a possibilidade de melhorar o ativo com sua gestão; e uma condição adequada de entrada.

Investimentos nos negócios atuais

Parte relevante dos recursos continuará direcionada às operações que já fazem parte da Ultrapar. Na Ipiranga, os planos incluem ampliar e melhorar a rede de postos, a infraestrutura logística e a tecnologia. A empresa também está substituindo sua plataforma tecnológica para buscar mais eficiência e produtividade.

Na Ultragaz, os investimentos estão concentrados na expansão do segmento de granel e do biometano. A Hidrovias busca elevar a produtividade e o uso dos ativos, considerando a expectativa de crescimento da safra de grãos e do Corredor Norte.

A Ultracargo encerrou um ciclo de expansão de capacidade e agora trabalha para conectar melhor os terminais portuários às bases no interior. Para Pizzinatto, o desbalanceamento entre produção, importação e consumo no Brasil tende a continuar gerando demanda por infraestrutura logística.

Resultados e dividendos

A evolução operacional aparece em indicadores da companhia. Nos 12 meses encerrados em junho de 2026, o EBITDA ajustado recorrente chegou a R$ 9,5 bilhões, ante R$ 3,8 bilhões em 2021. No mesmo intervalo, o custo da holding caiu 16%, o quadro de funcionários diminuiu 34% e o ROIC avançou de 6,9% para 17,3%.

A empresa ressalva que existe uma tendência positiva, mas também reconhece um curto prazo volátil e um resultado extraordinário em 2026. Na Ipiranga, parte do avanço veio do combate às irregularidades no mercado de combustíveis. Também pesaram os efeitos do conflito no Oriente Médio, que elevaram a volatilidade no abastecimento e favoreceram grandes distribuidores com capacidade de importar e administrar o suprimento.

Pizzinatto afirmou que é difícil separar a participação de cada fator e reconheceu que parte do resultado não é recorrente. Para o curto prazo, a expectativa é de normalização após um segundo trimestre excepcional. A margem da Ipiranga no terceiro trimestre deve ficar abaixo dos R$ 451/m³ registrados no segundo trimestre, mas acima dos R$ 276/m³ do primeiro.

A política de dividendos não será alterada. A Ultrapar manterá o mínimo de 25% do lucro, embora historicamente tenha distribuído acima desse nível. Em agosto, a empresa anunciou uma distribuição adicional de R$ 1 bilhão depois de um resultado acima do esperado e da falta de projetos considerados atrativos.

“Se a geração de caixa continuar forte e não tivermos projetos que são atrativos o suficiente para investir, vamos aumentar o pagamento de dividendos”, disse o CEO.

Texto produzido pela Redação Finanças em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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