O governo federal avalia criar um programa para reduzir o endividamento das famílias brasileiras por meio da compra de dívidas antigas pelo Tesouro Nacional. A proposta prevê negociar diretamente com os atuais credores, com descontos que podem chegar a 95%, para retirar esses débitos da cobrança e regularizar a situação de consumidores negativados.
O desenho em análise inclui dívidas de baixo valor e vencidas há mais tempo. A operação funcionaria como uma espécie de leilão, em que o Tesouro compraria os débitos com abatimentos elevados. O programa ainda está em fase de definição, e o governo não decidiu se será lançado em 2026 ou 2027.
Como funcionaria
A medida seria diferente do Desenrola. Não estão previstos fundos públicos nem bancos públicos na operação. A negociação ocorreria diretamente entre o Tesouro Nacional e os detentores das dívidas.
Até agora, o plano não prevê que as famílias tenham de pagar esses valores posteriormente ao Tesouro. Também está em avaliação a inclusão de dívidas não bancárias, relacionadas a serviços e despesas essenciais. Essa possibilidade ainda não foi definida.
O foco seria alcançar débitos com baixa probabilidade de pagamento. Parte deles já teria sido retirada dos balanços dos credores originais e vendida a terceiros, que hoje fazem a cobrança. Mesmo assim, essas dívidas continuam deixando consumidores negativados e sujeitos à cobrança por birôs de crédito.
A operação terá impacto primário, mas a equipe econômica pretende acomodar o custo no Orçamento e nas regras fiscais. A estimativa preliminar é de um impacto na casa de um dígito de bilhão de reais. As áreas jurídicas ainda analisam as restrições da legislação eleitoral.
Endividamento das famílias
O estoque de dívidas inadimplentes das famílias brasileiras está em torno de R$ 600 bilhões, segundo uma fonte ouvida pelo governo. A avaliação oficial é que o problema inclui contas essenciais, como energia, água e alimentos, além de outros compromissos financeiros.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, confirmou que uma política voltada às dívidas antigas está em estudo. “Vamos propor ao presidente que ele faça uma política para limpar o nome”, afirmou.
Dados do Banco Central mostram que o endividamento das famílias em relação à renda acumulada em doze meses chegou a 49,75% em junho, ante 48,82% no mesmo período de 2025. O comprometimento de renda atingiu 28,9% em junho, após alta de 0,4 ponto percentual no mês e de 1,7 ponto percentual em um ano.







