São Bernardo do Campo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Finanças

Sucata já gera receita para 57% das empresas industriais, aponta CNI

Separação correta por tipo de metal pode aumentar o valor dos lotes e evitar perdas que passam de R$100 mil em operações industriais.

Sucata já gera receita para 57% das empresas industriais, aponta CNI

A sucata metálica passou a fazer parte do planejamento financeiro de empresas industriais, mas ainda perde valor quando os materiais não são identificados e separados corretamente. Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que 57% das empresas do setor já adotam alguma prática de economia circular, enquanto 40% afirmam ter obtido retorno financeiro com essas ações.

William Lopez, diretor comercial da Sianfer, recicladora de aço inoxidável e ligas especiais, afirma que a falta de conhecimento técnico sobre a composição dos materiais é o principal problema do mercado. A empresa disputa a liderança desse segmento no Brasil com a alemã Cronimet.

Como a separação afeta o valor

O Brasil produz entre 10 mil a 12 mil toneladas mensais de aço inoxidável e ligas especiais. Desse volume, a Sianfer processa entre 3 mil e 4 mil toneladas. Sianfer e Cronimet respondem juntas por cerca de 80% do setor, enquanto aproximadamente outros vinte recicladores dividem o restante.

Quando um lote é classificado de forma errada, o prejuízo pode começar em uma pequena diferença de preço e chegar a valores elevados. Um lote de 100kg trocado entre dois tipos de aço inoxidável pode gerar perda de R$500,00. Em uma operação industrial, a contaminação por enxofre ou fósforo acima do limite de 0,005% pode inutilizar uma corrida de produção de 30 toneladas, com prejuízo que passa de R$100 mil.

Para reduzir esse risco, a Sianfer treina fornecedores industriais e pequenos recicladores parceiros. A orientação é separar os materiais antes da venda, em vez de entregar lotes misturados.

Um fogão vendido inteiro como sucata mista vale menos do que a soma de suas partes. Depois de desmontado, pode ser dividido em alumínio, ferro fundido, chapa de ferro e lã de vidro. Cada material passa a ter comprador e preço próprios.

Em algumas indústrias, cerca de 10% do valor obtido com a sucata é destinado aos funcionários responsáveis pela triagem. A prática busca estimular a separação correta e reduzir a mistura de materiais nos pátios.

Mercado exige estrutura e especialização

A transformação da sucata em fonte de receita começou entre 20 e 30 anos atrás, por volta dos anos 2000. Antes, os materiais nem sempre eram separados por tipo. Hoje, o setor é concentrado porque a operação exige equipamentos, galpões e estrutura de processamento. Um pátio de reciclagem de porte médio a grande raramente custa menos de R$50 milhões.

Por causa desse investimento, os recicladores costumam se especializar em determinados materiais, como aço inoxidável, aço carbono, alumínio, cobre e ligas de cobre.

Na desmobilização de plantas industriais, a destinação da sucata deve ser planejada antes do desmonte. Para Lopez, o desafio não é apenas definir o comprador, mas desmontar e separar corretamente os materiais ainda dentro da unidade.

A cotação do tungstênio também mostra como fatores externos podem afetar o mercado. O metal, historicamente negociado perto de R$300,00 o quilo, passou a valer cerca de R$600,00 depois que começou a guerra entre Rússia e Ucrânia, em razão do uso na fabricação de munição balística.

A separação básica entre metal, papel e material orgânico já faz parte da rotina de boa parte da indústria brasileira. A divisão por liga, porém, ainda está restrita a poucas plantas. Segundo Lopez, ampliar essa prática depende principalmente de treinamento.

Texto produzido pela Redação Finanças em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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