Donald Trump e Xi Jinping discutiram Taiwan, a guerra entre Estados Unidos e Irã, os riscos da inteligência artificial e a disputa comercial durante a reunião de cúpula realizada na quinta-feira (24). Apesar da amplitude dos temas, as conversas foram superficiais, e a recepção oferecida ao presidente chinês teve grande destaque.
A Casa Branca organizou uma recepção na pista de decolagem na quarta-feira, quando Xi e sua esposa, Peng Liyuan, chegaram de avião. No dia seguinte, houve apresentação de trombetas e bandeiras, além de um jantar de gala com mais de 130 convidados. Entre eles estavam representantes da indústria de tecnologia americana e cerca de 20 integrantes da delegação chinesa. Xi também recebeu um convite para visitar as obras do futuro salão de baile da Casa Branca.
Trump disse que ele e Xi têm uma “grande amizade verdadeira”. O presidente chinês preferiu destacar a relação pessoal e defendeu que as duas potências “coexistam pacificamente”, mesmo com as diferenças. Xi ainda voltou a mencionar a chamada “armadilha de Tucídides”, teoria segundo a qual cresce o risco de guerra quando uma potência emergente desafia uma potência estabelecida.
Taiwan, Irã e inteligência artificial
Xi pediu que os Estados Unidos tratem Taiwan “com prudência” e se “oponham” à independência da ilha, considerada parte do território chinês por Pequim. Ele também defendeu que os Estados Unidos e o Irã cheguem “o mais rápido possível” a um acordo por meio de negociações.
Na área de inteligência artificial, Xi afirmou que os dois países têm a responsabilidade de garantir que o desenvolvimento da tecnologia permaneça sob controle humano. Trump, por sua vez, disse na rede social Truth Social que deseja manter a IA “exatamente como está”, em referência aos pedidos de regulamentação.
Trégua comercial
A prorrogação da trégua comercial que abalou a economia global em 2025 também esteve no centro da reunião. O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, informou antes da chegada de Xi que o objetivo havia sido alcançado, mas somente até 10 de janeiro. A agência Xinhua informou que Xi comemorou o acordo, sem divulgar detalhes.
Para especialistas citados nas discussões, o entendimento pode ajudar Trump a atravessar as eleições de meio de mandato em novembro. Ainda assim, Jared Mondschein, diretor de pesquisa do Centro de Estudos dos Estados Unidos, da Universidade de Sydney, disse que integrantes do governo americano querem estabilizar as relações enquanto reduzem a vulnerabilidade dos Estados Unidos diante da China.
A avaliação é que não houve uma mudança profunda ou duradoura na rivalidade estratégica. Dylan Loh, da Universidade Tecnológica de Nanyang, afirmou que os chineses esperavam uma prorrogação mais longa, mas também eram realistas.








