Integrantes do Conselho de Paz criado pelos Estados Unidos e representantes de um comitê palestino tecnocrático realizaram reuniões com a UNRWA para discutir a atuação da agência na reconstrução de Gaza. O contato ocorre apesar da posição pública do conselho de que a organização da ONU não teria espaço no território.
Philippe Lazzarini, que deixou o comando da UNRWA no início deste ano, afirmou que membros do comitê palestino escolhido pelo Conselho de Paz querem trabalhar com a agência. Um funcionário do conselho confirmou que houve várias reuniões, mas declarou que "os dias da agência acabaram". Segundo ele, alguns programas podem continuar se estiverem atendendo bem à população de Gaza.
Autoridades da ONU disseram que ocorreram ao menos três reuniões neste ano entre a UNRWA e o comitê palestino. A mais recente foi neste mês, e os dois lados mantêm comunicação sobre questões técnicas. Um resumo de uma reunião realizada em abril registra que o comitê considerou a UNRWA uma possível líder na reconstrução de campos de refugiados, tema descrito como "altamente político". O Tony Blair Institute, parceiro do Conselho de Paz, também procurou a agência.
Papel da agência em Gaza
Israel defende a retirada da UNRWA do território e acusa a organização de infiltração por militantes do Hamas. A Corte Internacional de Justiça afirma, porém, que essas alegações não foram comprovadas.
A agência continua sendo o maior provedor de ajuda em Gaza e tem atuação em saúde e educação. De acordo com seus próprios dados, mantém cerca de 11 mil funcionários palestinos no território, realiza em média 14 mil atendimentos médicos por dia e administra sistemas de água e saneamento para mais de 1 milhão de pessoas. Também mantém programas educacionais para centenas de milhares de crianças em espaços temporários de aprendizagem.
Lazzarini afirmou que a UNRWA sustenta cerca de metade do sistema público de saúde local. Para ele, a presença de funcionários e a estrutura espalhada pelo território são necessárias para que vacinas e outros serviços cheguem às famílias.
Quase um ano após o cessar-fogo, não houve reconstrução significativa. Israel ainda impede a entrada em Gaza do comitê palestino que, em tese, governaria o território no futuro, sob a justificativa de que o Hamas precisa se desarmar antes.
O funcionário do Conselho de Paz disse que as reuniões serviram para entender o funcionamento da UNRWA e desenhar programas mais eficientes e com mais prestação de contas. Ele afirmou ainda que empregados da agência poderiam continuar no trabalho se passarem por triagem, cumprirem o mandato e não promoverem ideologia ou interesses do Hamas.








