São Bernardo do Campo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Finanças

S&P eleva nota da Latam e prevê expansão da frota e no Brasil

Agência passou o rating da companhia de BB para BB+, com perspectiva estável, após avaliar operação, caixa e indicadores financeiros.

S&P eleva nota da Latam e prevê expansão da frota e no Brasil

A S&P Global Ratings elevou a nota de crédito da Latam Airlines Group de “BB” para “BB+” nesta segunda-feira (21). A perspectiva é estável. A agência considerou o desempenho operacional, a geração de caixa e a expectativa de manutenção de indicadores financeiros sólidos durante a expansão da companhia.

A projeção é que a relação entre fundos provenientes das operações (FFO) e dívida permaneça acima de 45% até 2028. A análise também considera o aumento esperado das receitas, o controle de custos e o crescimento da capacidade.

A S&P manteve em “BBB-” a classificação das notas seniores garantidas da Latam com vencimento em 2030 e 2031. O rating de recuperação continuou em “1”, associado a uma estimativa de recuperação de 95% do principal em um eventual cenário de inadimplência.

Combustíveis e receitas

No primeiro semestre de 2026, a Latam enfrentou alta de 80% no custo total dos combustíveis em relação ao mesmo período do ano anterior. Ainda assim, a receita com passageiros cresceu 27,9% no segundo trimestre, e a receita de passageiros por assento-quilômetro disponível (RASK) avançou 17,5%.

Para a agência, os números mostram que a companhia conseguiu repassar às tarifas parte do aumento dos combustíveis. A S&P projeta crescimento de 9% a 10% na oferta medida por assentos-quilômetros disponíveis (ASK), com taxas de ocupação próximas de 84%.

O EBITDA ajustado deve chegar a US$ 4,3 bilhões em 2026. A receita estimada é de US$ 17,116 bilhões, contra US$ 14,265 bilhões em 2025, alta de aproximadamente 20%.

A agência também destacou a diversificação das receitas. O segmento premium representava 29% da receita de passageiros no segundo trimestre de 2026, enquanto o programa Latam Pass estava associado a 67% dessa receita. A combinação desses fatores deve ajudar a manter margens EBITDA entre 25% e 28% até 2028.

Frota e mercado brasileiro

A Latam planeja aumentar sua frota em 69 aeronaves até 2028, com encomendas da Airbus, da Boeing e da Embraer. O fluxo de caixa operacional deve financiar parte dos investimentos. Mesmo assim, a S&P estima que a dívida bruta, incluindo arrendamentos operacionais, cresça entre US$ 3,5 bilhões e US$ 4 bilhões de 2025 a 2028.

A empresa pretende usar aeronaves Embraer E2 para ampliar a malha doméstica no Brasil. O plano prevê 24 compromissos firmes de aeronaves até 2027 e o aumento de 63 para 67 destinos domésticos, com oito novas rotas. As primeiras aeronaves E2 devem ser recebidas no quarto trimestre de 2026.

No mercado brasileiro, a Gol aumentou sua capacidade em 11,7% nos 12 meses encerrados em julho de 2026. No mesmo período de comparação, a taxa de ocupação da Latam no mercado doméstico recuou 1,9 ponto percentual e ficou em 80,7% no segundo trimestre.

A S&P acompanhará se a expansão da oferta no Brasil será convertida em crescimento rentável, com preservação das tarifas e das taxas de ocupação.

Dívida, liquidez e ações

A agência estima fluxo de caixa operacional livre de aproximadamente US$ 1,3 bilhão em 2026 e US$ 1,9 bilhão em 2027. A relação entre dívida ajustada e EBITDA deve ficar entre 1,5 vez e 1,6 vez até 2028, enquanto a relação entre FFO e dívida deve permanecer próxima de 50%.

A Latam aprovou um programa de recompra de até 5% do total de ações durante os próximos cinco anos. De acordo com a S&P, a empresa já executa uma recompra equivalente a 1% das ações em circulação.

A liquidez foi classificada como forte. A agência espera que as fontes disponíveis cubram as necessidades financeiras em mais de 1,5 vez nos próximos 12 a 24 meses. Linhas de crédito e uma facilidade vinculada a motores somam US$ 1,58 bilhão, e não há amortizações relevantes da dívida previstas antes de 2030.

A perspectiva estável considera a manutenção de FFO e dívida acima de 45% até 2028. Um rebaixamento poderá ocorrer se essa relação ficar abaixo desse nível, se a margem EBITDA se afastar significativamente das projeções ou se houver piora da liquidez. Uma nova elevação nos próximos 12 meses é considerada pouco provável.

Texto produzido pela Redação Finanças em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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