São Bernardo do Campo, Sexta-feira, 2 de outubro de 2026
Finanças

Frutas percorrem milhares de quilômetros até chegar aos supermercados

A operação combina importação, cadeia de frio, controle de qualidade e previsão de demanda para reduzir perdas e manter frutas nas lojas.

Frutas percorrem milhares de quilômetros até chegar aos supermercados

A comercialização de frutas envolve uma operação que pode incluir produtores de vários países, contêineres refrigerados e controle rigoroso de qualidade. A Crisfrut/Connect Fruit movimenta 32,8 milhões de quilos por ano, entre frutas nacionais e importadas.

A maior parte desse volume está concentrada em peras, maçãs e cerejas: são 700 mil caixas de peras, equivalentes a 12,6 milhões de quilos; 400 mil caixas de maçãs, com 7,4 milhões de quilos; e 120 mil caixas de cerejas, que somam 600 mil quilos. Ameixas, kiwis, mirtilos e outras variedades respondem por mais 12,2 milhões de quilos.

Da produção à gôndola

Rafael Zanardi, diretor comercial da empresa, explica que a busca por frutas precisa ser feita no mundo todo. O Brasil produz e exporta, mas nem sempre atende sozinho à demanda do mercado interno. Por isso, a operação envolve encontrar produtores, avaliar safras, acompanhar a qualidade e organizar a chegada dos produtos aos pontos de venda.

Uma maçã produzida na Itália pode permanecer cerca de 30 dias em um contêiner até desembarcar no Brasil. Depois de resfriada, precisa continuar em temperatura próxima de zero grau até chegar à área de venda. A interrupção dessa cadeia reduz a vida útil, a aparência e a qualidade da fruta.

O controle também atende às exigências de cada rede varejista. Uma carga inteira pode ser devolvida quando uma caixa apresenta duas ou três frutas fora do padrão definido. Nesse caso, a mercadoria precisa ser selecionada novamente e enviada a outro ponto de venda, gerando novos custos de frete, mão de obra e armazenagem.

Clima, trabalho e tecnologia

Calor, falta de água, geadas e mudanças no ciclo de chuvas afetam o tamanho, a coloração, o desenvolvimento e o sabor das frutas. Em uma visita a produtores da Itália e da Espanha, Zanardi encontrou temperaturas entre 40°C e 42°C. O calor pode prejudicar o produto ainda no pé e dificultar a colheita.

A falta de trabalhadores é outro desafio. A automação já é usada nas unidades de seleção e embalagem, onde pode reduzir custos e aumentar a produtividade. No campo, porém, a mecanização exige alterações no espaçamento das plantações e investimentos elevados. Para Zanardi, automatizar não reduz o preço em todas as etapas. Após a colheita, a tecnologia também é aplicada na seleção, na embalagem e na paletização.

As condições das safras influenciam rapidamente os preços internacionais. Uma fruta negociada por 20 euros pode passar a custar 21 ou 22 quando uma quebra de produção aumenta a procura.

Oferta durante o ano

O consumidor passou a procurar novas variedades, embalagens práticas e produtos associados à alimentação saudável. Para manter morangos, uvas, peras e outras frutas disponíveis por 12 meses, as empresas combinam safras de diferentes regiões brasileiras com fornecedores internacionais.

A oferta contínua não garante que sabor, textura e preço sejam iguais em todas as épocas. A origem também não define sozinha o valor: uma fruta brasileira de padrão superior pode custar mais do que uma importada. Qualidade, oferta, câmbio, transporte, perdas e vida útil também entram na formação do preço final.

Entre as tendências acompanhadas pela empresa estão as frutas liofilizadas. O processo retira a água e preserva boa parte das características nutricionais, sem exigir açúcar ou conservantes. Por serem leves e fáceis de transportar, elas passaram a ocupar espaço em academias, escolas, viagens e atividades ao ar livre.

Para a empresa, a fruta deixou de ser vendida apenas por quilo. Porções menores, embalagens práticas e novos formatos passaram a fazer parte da oferta. O desafio é fazer o produto chegar ao consumidor no ponto adequado, com qualidade, preço competitivo e tempo suficiente para ser escolhido.

Texto produzido pela Redação Finanças em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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