ÁFRICA DO SUL — A inflação anual ao consumidor subiu de 4,3% em julho para 4,4% em agosto, informou o instituto oficial Statistics South Africa (Stats SA). O resultado ficou abaixo da mediana das expectativas do mercado, de 4,5%.
Para conter as pressões sobre os preços dos combustíveis e os efeitos do cenário internacional, o Banco Central da África do Sul (SARB) elevou a taxa básica de juros em 25 pontos-base, para 7,25% ao ano. A decisão foi unânime do Comitê de Política Monetária e passa a valer a partir de 25 de setembro. Com a mudança, a prime rate, taxa básica de empréstimo do sistema bancário, fica em 10,75% ao ano.
Preços por setor
Na comparação mensal, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) ficou estável entre julho e agosto, com variação de 0,0%. Em 12 meses, as maiores altas vieram de habitação e serviços públicos, com 5,2%; transportes, com 8,8%; e serviços financeiros e seguros, com 5,7%.
A inflação de alimentação e bebidas não alcoólicas acelerou para 1,1% em agosto, contra 0,9% no mês anterior, depois de oito meses consecutivos de desaceleração. O grupo de peixes e frutos do mar passou de 6,6% para 7,5%. Também subiram os preços de carne suína, presunto e bacon. Já os cortes de carne bovina ficaram mais baratos em relação ao mesmo período do ano passado.
No setor de transportes, a inflação anual desacelerou levemente, de 8,9% em julho para 8,8% em agosto. A alta acumulada dos combustíveis recuou de 20,6% para 20,0%. A gasolina caiu 2,0% na comparação mensal, enquanto o óleo diesel subiu 3,1%.
Projeções do Banco Central
O presidente do banco central sul-africano, Lesetja Kganyago, afirmou que a pressão sobre os combustíveis se intensificou, alterando a trajetória esperada para a inflação. “Também estamos observando o aumento das taxas de juros em nível global”, disse.
O SARB prevê que a inflação acumulada supere 5% no final deste ano e no início de 2027. A expectativa é de queda depois da redução dos choques energéticos. A meta central é levar o indicador a 3% até o final de 2027.
A autoridade monetária relacionou a volatilidade dos preços de energia e o aumento dos custos das cadeias de suprimento às incertezas geopolíticas, incluindo os conflitos no Oriente Médio e a guerra entre Rússia e Ucrânia. Para o banco, os choques globais de oferta reduzem a atividade econômica e elevam os custos de produção.
Crescimento econômico
O Banco Central também reduziu a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da África do Sul em 2026, de 1,4% para 1,2%. A revisão ocorreu após a economia encolher 0,2% no segundo trimestre.
Entre os fatores de sustentação citados pela autoridade estão a inflação dos alimentos nos menores níveis desde 2010, as safras agrícolas favoráveis e a estabilização dos preços das carnes após o surto de febre aftosa. A resiliência recente do rand, moeda local, também ajudou a amortecer o repasse da inflação importada.







