São Bernardo do Campo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

Unicef diz que muitas famílias ainda não veem palmada como violência

Levantamento aponta que pais confundem castigo físico com educação e têm pouco repertório para impor limites sem agressão.

Unicef diz que muitas famílias ainda não veem palmada como violência

Muitas famílias ainda não consideram tapas e chineladas uma forma de violência. Essa é uma das conclusões de um levantamento divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), que investigou por que pais, mães e cuidadores recorrem a castigos físicos, principalmente na primeira infância.

A pesquisa identificou que parte dos responsáveis diferencia a palmada do espancamento e acredita que bater pode servir para disciplinar. “As famílias sequer consideram o tapa ou a chinelada como violência”, afirma Luiza Teixeira, pesquisadora de Proteção à Criança do Unicef no Brasil.

O estudo ouviu 214 pessoas em regiões de vulnerabilidade e violência. Foram 123 entrevistados no Rio de Janeiro, 37 no Recife e 54 em Manaus. Participaram pais, cuidadores e lideranças comunitárias.

Limites e prevenção

Segundo o Unicef, muitos responsáveis não têm alternativas para lidar com birras e acabam agindo no impulso, seguidos de arrependimento. A criação dos filhos ainda é tratada como um assunto privado, o que pode dificultar a participação da comunidade e o acesso das famílias aos serviços públicos.

A instituição também apontou falta de capacitação dos profissionais da rede de proteção para orientar os responsáveis sobre formas de educar sem violência. Entre as recomendações estão o fortalecimento da prevenção, o apoio a esses profissionais e a realização de campanhas sobre como estabelecer limites sem agressão, levando em conta a realidade das áreas mais vulneráveis.

A lei Menino Bernardo, conhecida como Lei da Palmada, tem 12 anos e integra o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), criado em 1990. Para Luiza Teixeira, a legislação é pouco conhecida pelas famílias e ainda é interpretada em meio a normas sociais que aceitam a violência como forma de educar.

Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que, no ano passado, foram registrados mais de 60 mil casos de maus-tratos ou lesão corporal em contexto de violência doméstica contra crianças e adolescentes. O número foi 106% maior que em 2024.

Desenvolvimento infantil

A psicóloga infantil Mara Gomes, que atua em Brasília, explica que a criança pequena ainda está desenvolvendo mecanismos ligados ao controle dos impulsos, ao planejamento e à autorregulação emocional. Por isso, pode sentir emoções intensas sem conseguir administrar sozinha situações de frustração.

Na avaliação da psicóloga, bater pode levar a sinais de submissão ou agressividade. Ela defende que os adultos acolham os sentimentos e estabeleçam limites, além de manter uma conversa honesta com a criança desde cedo.

A pedagoga Marília Paiva, que trabalha em São Paulo, afirma que o adulto deve enxergar a birra também como uma tentativa de comunicação. Ela recomenda quatro etapas: o adulto controlar as próprias emoções, acolher e validar o sentimento da criança, estabelecer limites e ensinar quando ela estiver pronta para ouvir.

“A palmada não educa a criança e constrange, além de gerar medo”, diz Marília.

Texto produzido pela Redação Finanças em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Entre na nossa newsletterO melhor da semana, sem spam.

Em alta

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5