O BTG Pactual manteve a recomendação neutra para as ações do Fleury, apesar da forte valorização registrada no ano. Para o banco, a maior parte do avanço veio da expansão dos múltiplos — quando o mercado aceita pagar mais por uma empresa — e não de uma revisão relevante das estimativas de lucro.
A ação acumula alta de 48% no ano, 38% nos últimos doze meses e quase 50% desde o início do ano. O desempenho equivale a 3x a valorização do Ibovespa e supera o de outras empresas do setor de saúde. O Fleury vale R$ 12 bilhões na Bolsa.
Reavaliação global do diagnóstico
A análise do BTG, assinada pelo analista Samuel Alves, relaciona o movimento a uma reavaliação global das empresas de diagnóstico. Os pares internacionais mais próximos do Fleury tiveram expansão relevante de múltiplos e desempenho sólido das ações neste ano.
O banco afirma que essa valorização acompanha resultados operacionais relativamente firmes, mas também reflete uma narrativa de crescimento estruturalmente maior para o segmento de diagnóstico. A medicina preventiva aparece como um dos pilares dessa visão, por poder contribuir para diagnósticos mais precoces e tratamentos mais personalizados.
Alves observa que a área de saúde costuma ser influenciada por fatores regionais, como regulação, consolidação e condições competitivas locais. Por isso, os fundamentos de cada mercado normalmente têm mais peso do que as tendências globais. Ainda assim, a movimentação dos pares internacionais ajudou a explicar o desempenho do Fleury.
O BTG separou essas empresas em três grupos: laboratórios tradicionais e de grande escala; companhias de diagnóstico de precisão, oncologia e outros nichos de alto crescimento; e laboratórios asiáticos, que atuam em mercados com penetração ainda muito baixa.
O Fleury foi considerado mais parecido com o primeiro grupo. Empresas como Quest Diagnostics, Labcorp Holdings e Eurofins negociam entre 16x a 21x o lucro estimado para os próximos doze meses. A mediana desses pares está 35% acima do Fleury, que negocia a 14x lucro.
Crescimento e preferência pela Rede D’Or
Segundo o BTG, o prêmio histórico dos pares em relação ao Fleury continua em 35%, porque tanto as empresas globais quanto a companhia brasileira passaram por expansão de múltiplos. O banco, porém, avalia que os fundamentos locais podem voltar a exercer maior influência no futuro.
A CEO Jeane Tsutsui vem entregando crescimento orgânico saudável, de um dígito alto, considerado pelo relatório amplamente consistente com a expansão do mercado privado de saúde no Brasil. Na avaliação do BTG, o Fleury dificilmente crescerá de forma consistente acima do mercado, pois não investe agressivamente para ampliar sua capacidade.
O banco também afirma que a reavaliação dos múltiplos não transforma o Fleury em uma ação de alto crescimento. Embora não identifique um catalisador de curto prazo para uma queda dos múltiplos, o relatório registra que alguns investidores ainda consideram a possibilidade de a companhia participar de uma operação de fusão e aquisição ou virar alvo de compra.
A preferência do BTG no setor continua sendo pela Rede D’Or. Como as duas companhias são negociadas a múltiplos semelhantes, o banco considera a avaliação relativa atual um ponto de entrada atrativo para a Rede D’Or. Na visão do analista, os fatores globais que sustentam as avaliações das empresas de diagnóstico podem não durar indefinidamente, enquanto a Rede D’Or tem perfil de crescimento superior, maior pipeline de investimentos e potencial mais forte de ganho de participação de mercado.








