A nova composição da gasolina ainda depende de etapas antes de chegar aos postos, mas já provoca dúvidas sobre o impacto em motores e peças. O efeito tende a ser mais intenso em carros antigos projetados para funcionar apenas com gasolina, embora modelos mais novos também possam apresentar problemas.
Entre os efeitos esperados estão o aumento do consumo e a redução da autonomia dos veículos movidos exclusivamente a gasolina. Tenório Júnior, técnico e professor de mecânica automotiva, explica que a maior presença de etanol pode dificultar a queima ideal, porque motores a gasolina trabalham com compressão e temperatura diferentes dos motores flex ou movidos a álcool.
Peças que podem ser afetadas
O carburador é apontado como o componente mais preocupante nos veículos antigos. Como não se adapta automaticamente ao combustível, pode provocar perda de desempenho e sofrer corrosão. O tanque metálico também merece atenção. Já os tanques de plástico, presentes na maioria dos veículos lançados desde o início dos anos 2000, não apresentam a mesma preocupação.
A bomba de combustível pode sofrer corrosão quando o combustível absorve umidade do ar, principalmente se o veículo ficar parado por muito tempo. O problema também pode atingir a boia que indica o nível no tanque.
Bicos injetores, principalmente em veículos sem turbocompressor, podem apresentar falhas ou marcha lenta irregular se já estiverem parcialmente sujos. Velas desgastadas também podem contribuir para falhas na queima. Além disso, o catalisador pode ter a vida útil reduzida quando recebe combustível que não foi queimado corretamente.
Em carros mais antigos, mangueiras, retentores e outros itens de vedação podem ressecar e se desgastar mais rapidamente.
Possíveis adaptações
Alexandre Dias, mecânico e proprietário das oficinas Guia Norte, afirma que veículos sem carburador podem ter a ECU, o módulo de injeção eletrônica, atualizada para se adaptar à nova proporção de etanol. A manutenção cuidadosa das peças também ajuda a preservar a durabilidade do veículo.
Nos modelos antigos, é possível adaptar o carburador, mas o processo exige ajustes e testes. Segundo Tenório, não existe uma tabela pronta para definir as aplicações desse tipo de combustível, porque é necessário regular os furos de passagem de ar e combustível, conhecidos como giclês.







