AUSTIN — O venezuelano Wilber Garcés, de 28 anos, está detido nos Estados Unidos depois de ser baleado por um agente do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) durante uma abordagem em Austin, no Texas. O projétil continua alojado em seu corpo, segundo o próprio imigrante.
Garcés fazia uma entrega pelo aplicativo DoorDash e dirigia seu próprio veículo quando, de acordo com seu relato, uma caminhonete bateu em seu carro. Depois, outro veículo bloqueou seu caminho. Um agente desceu e pediu seus documentos.
O venezuelano disse que tentou encontrar um local seguro para estacionar, mas os agentes não permitiram. Ele afirmou que fez um retorno, foi perseguido, teve o carro atingido duas vezes e acabou baleado no torso. “Ainda estou com a bala aqui dentro”, contou durante uma entrevista coletiva, da qual também participou sua esposa, Elizdar.
Detenção e versão das autoridades
O disparo ocorreu no domingo (20). Garcés foi levado inicialmente a um hospital e depois transferido para um centro de detenção em Pearsall, a cerca de 200 km de Austin.
O Departamento de Segurança Interna (DHS), responsável pelo ICE, informou que o imigrante estava em condição estável e sob custódia federal enquanto aguardava a expulsão. O órgão também afirmou que ele havia entrado ilegalmente nos Estados Unidos durante o governo de Joe Biden (2021-2025).
A advogada Kate Lincoln-Goldfinch apresentou outra versão. Segundo ela, Garcés entrou legalmente no país em 2024 pelo programa CBP One, tinha autorização de trabalho válida, estava sob liberdade condicional e solicitava asilo.
A defensora explicou que a ordem de deportação foi emitida depois que ele não compareceu a uma audiência de imigração. A notificação, segundo a advogada, foi enviada para um endereço onde ele já não morava. Ela pretende pedir uma medida cautelar para obter a libertação do cliente e garantir atendimento médico.
Reclamação sobre o atendimento
Garcés afirmou que a bala fraturou sua clavícula e não foi retirada porque estaria próxima da medula espinhal. Ele disse que uma ambulância chegou após o disparo e que não conseguia se mexer.
No hospital, contou que inicialmente foi informado de que passaria por exames para uma cirurgia. Depois, um médico teria dito que ele receberia alta e seria levado ao centro de detenção. Garcés afirmou que recebeu apenas um analgésico durante a madrugada e foi colocado em uma cela sem camas.
Román Palomares, presidente da Liga dos Cidadãos Latino-Americanos Unidos, pediu uma investigação independente. A advogada também criticou a abordagem e disse que não havia justificativa para o disparo.
O DHS informou que quase 51 mil imigrantes em situação irregular foram detidos nos Estados Unidos em agosto. O ICE tem sido alvo de protestos e críticas por seus procedimentos em operações migratórias, incluindo o uso de armas de fogo contra cidadãos americanos.








