A Rússia transferiu os negócios e ativos da Nestlé e de três grupos franceses para uma empresa chamada LEV Management. O decreto foi assinado pelo presidente Vladimir Putin e levou o Kremlin a defender a medida como resposta às empresas de países considerados não amistosos por apoiarem a Ucrânia.
A decisão, divulgada na noite de quinta-feira, atingiu as operações russas da Nestlé, da rede varejista Auchan e da antiga Leroy Merlin, hoje chamada Lemana Pro. As subsidiárias russas da FM Logistic também foram incluídas.
O governo francês pediu que as autoridades russas revertam o decreto. Em comunicado conjunto, os ministérios das Relações Exteriores e da Economia afirmaram: “A França denuncia a decisão injustificada de colocar sob administração provisória as subsidiárias russas de várias empresas francesas e europeias”.
Reação das empresas
A Nestlé declarou que vai “tomar todas as medidas necessárias para proteger seus direitos e garantir a continuidade das operações”. A filial russa da Auchan informou que pediu esclarecimentos às autoridades sobre a decisão assinada por Putin.
A Auchan tem 241 lojas na Rússia, sendo 62 hipermercados, e mais de 33.000 funcionários, de acordo com dados da própria empresa.
Para Jean-Philippe Bertschy, analista do banco suíço Vontobel, o efeito financeiro sobre a Nestlé deve ser limitado. A Rússia responde atualmente por pouco mais de 1% das vendas globais do grupo, ante quase 2% antes da guerra.
A LEV Management foi criada no final de 2025 e é dirigida por um general do Ministério do Interior russo.
Medidas contra empresas ocidentais
A transferência faz parte da resposta de Moscou às sanções econômicas impostas pelo Ocidente por causa da guerra na Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022. A Rússia vem endurecendo as regras para a saída de empresas estrangeiras, com exigência de autorizações presidenciais em algumas transações e uso direto da expropriação de ativos.
Depois da invasão da Ucrânia, a maioria das empresas ocidentais vendeu seus negócios na Rússia ou reduziu fortemente as operações por causa das restrições comerciais e financeiras.
Em 2023, a Rússia assumiu o controle dos ativos da francesa Danone no país. Depois, esses ativos foram vendidos a um sobrinho do líder checheno Ramzan Kadyrov.







