SOROCABA — A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) vão investigar se informações da Operação Vectura Corrupta foram vazadas. A ação apura uma possível ligação entre integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e o sistema de transportes da cidade de São Paulo.
A suspeita surgiu depois que investigadores fizeram buscas em pelo menos dois endereços ligados a Milton Leite (União Brasil), ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo. Nos locais, foram encontrados apenas empregados. O político é investigado por possível envolvimento no esquema.
Outro procurado é o empresário Paulo Sirqueira Korek Farias, presidente da viação A2 Transportes e do time de futebol Água Santa. Ele também não foi localizado nos endereços visitados pelas equipes.
O delegado responsável afirmou que a hipótese será analisada durante a investigação, mas que não é possível confirmar neste momento se houve vazamento. A operação prendeu 11 dos 16 alvos de prisão temporária. Cinco continuam foragidos.
Entre os presos estão Milton Leite, Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans, e Danilo Marco Morgado Silva, ex-candidato à Prefeitura de Praia Grande e candidato a deputado estadual. As defesas não foram localizadas.
Buscas em imóveis ligados a Milton Leite
Na manhã desta sexta-feira (18), a Polícia Civil e o MP encontraram uma passagem entre dois imóveis ligados a Milton durante buscas em Sorocaba, no interior paulista. Um dos imóveis pertence a um assessor do ex-parlamentar; o outro seria do próprio Milton e estava vazio.
Os investigadores vão analisar imagens de câmeras de monitoramento para verificar se o político esteve em alguma das outras residências. No local, foram apreendidos R$ 280 mil e US$ 89 mil (cerca de R$ 457 mil), guardados em malas. A pessoa encontrada no imóvel não soube explicar a origem do dinheiro. A polícia apura se os valores pertencem a Milton.
De acordo com o Ministério Público, ao menos 12 das 22 empresas de transporte coletivo da capital seriam controladas direta ou indiretamente pelo PCC. A alegação ainda será analisada pela Justiça.
O nome de Milton aparece em diálogos e outros elementos reunidos pela investigação. A decisão também cita depoimentos de policiais militares que o apontaram como dono de fato da Transwolff, empresa investigada na Operação Fim da Linha, em 2024. A Transwolff nega que Milton tenha participação societária ou atue na gestão. O ex-vereador também nega ser proprietário da empresa.







