São Bernardo do Campo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

Aliança entre Tarcísio e Milton Leite envolveu privatização da Sabesp

Operação que investiga suspeita de infiltração do PCC no transporte público decretou a prisão do ex-presidente da Câmara de São Paulo.

Tarcísio usou privatização da Sabesp para se aliar a Leite, investigado por ligação com PCC

A privatização da Sabesp foi usada nas negociações que aproximaram o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o então presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite. O acordo também envolveu a sucessão no comando do Legislativo e as eleições municipais de 2024.

A relação entre os dois veio à tona novamente após a operação Vectura Corrupta, que investiga suspeitas de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no poder público e no sistema de transporte coletivo. Milton Leite teve a prisão decretada e é considerado foragido pela polícia. Danilo Morgado (PL), candidato a deputado estadual pelo partido de Flávio Bolsonaro, foi preso.

A ação busca cumprir 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão em São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão. A investigação é conduzida pela Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes de Mogi das Cruzes, com participação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo.

Segundo a Polícia Civil, foram identificadas 12 empresas de transporte coletivo que seriam controladas, direta ou indiretamente, pelo PCC. Os investigadores apontam uma possível atuação de integrantes e intermediários da facção em empresas e processos de licitação do transporte público da capital.

A negociação pela Sabesp

A venda da Sabesp era uma das principais propostas da campanha de Tarcísio em 2022, mas dependia da aprovação da Câmara Municipal por causa de uma cláusula no contrato da estatal com o município. Milton Leite, como presidente da Casa, mantinha o projeto parado desde setembro de 2023.

O então vereador buscava recuperar espaço no Palácio dos Bandeirantes e participar da escolha do vice na chapa de Ricardo Nunes (MDB), que tentaria a reeleição à Prefeitura de São Paulo. Em outubro de 2023, Leite criticou a pressão pela privatização: “não vamos abrir mão dos direitos da cidade de São Paulo”.

Leite também usava a pré-candidatura de Kim Kataguiri à Prefeitura para negociar o apoio do União Brasil a Nunes. O partido tinha sete vereadores e era considerado importante para formar maioria na Câmara.

Depois dos acordos, Nunes apoiou Ricardo Teixeira (União) para a presidência da Câmara. Tarcísio, por sua vez, garantiu a volta da influência de Leite no governo estadual, com a indicação de Arthur Lima (União Brasil), aliado do ex-vereador, para a Casa Civil após a saída de Gilberto Kassab (PSD).

Com a negociação avançada, o projeto de privatização tramitou mais rapidamente na Câmara, e a cláusula que impedia a venda da estatal à iniciativa privada foi derrubada.

A aproximação pública entre Tarcísio e Leite ocorreu em 17 de janeiro de 2024, durante um evento na Vila Emir, na zona sul de São Paulo, para a entrega da primeira fase da Usina Fotovoltaica Flutuante Araucária. Na ocasião, o governador elogiou o então vereador diante de apoiadores.

Em outro evento, realizado há 18 dias para lançar as candidaturas dos filhos de Leite, Alexandre Leite e Milton Leite Filho, Tarcísio voltou a destacar a parceria com a família do ex-vereador.

Texto produzido pela Redação Finanças em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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