São Bernardo do Campo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

PF liga operador de Vorcaro a estruturas nas Bahamas e a fundo ligado a fornecedora eleitoral

Antonio Carlos Freixo Junior é descrito pela PF como “pioneiro nas Bahamas”; empresa paga por campanha tem sócias ligadas a fundo estrangeiro.

Operador de Vorcaro é “pioneiro das Bahamas”; Fórum revelou elo de contratada por Flávio Bolsonaro com paraíso fiscal
Foto: Divulgação/Entre Investimentos

A Polícia Federal descreve Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”, como “pioneiro nas Bahamas” por causa de estruturas offshore que ele teria montado no país. Ele é alvo da terceira fase da Operação Carbono Oculto e apontado como operador financeiro de Daniel Vorcaro na produção do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro.

A informação aparece em uma representação da PF que cita um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O documento foi usado para pedir uma investigação específica sobre o financiamento do filme.

Segundo a PF, Freixo Junior não teria um perfil de intermediário financeiro convencional. A corporação relaciona sua atuação nas Bahamas à ligação com Vorcaro e à estrutura usada para os aportes na produção.

Entre janeiro de 2024 e dezembro de 2025, Vorcaro movimentou US$ 89,6 milhões nas Bahamas. As remessas conhecidas destinadas a Dark Horse, porém, foram enviadas diretamente ao fundo Havengate, nos Estados Unidos.

O relatório do Coaf também relaciona Vorcaro à Mosaic Financial, corretora de valores mobiliários registrada nas Bahamas, e a outras empresas. A PF investiga a possibilidade de uso dessa estrutura para lavagem de dinheiro de corrupção e outros crimes.

Empresa contratada por campanha tem elo com fundo estrangeiro

A campanha de Flávio Bolsonaro declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma despesa de R$ 1,5 milhão com a Hanbellseg Serviços e Locações Ltda. A empresa, registrada em Sorocaba, já recebeu R$ 500 mil do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), conforme a prestação parcial de contas.

As sócias da Hanbellseg, Carolina Carmezin Beldi e Beatriz Carmezim Beldi, também aparecem no quadro societário da Golden Atividades Imobiliárias Ltda. A empresa tem capital social de R$ 14,9 milhões, e sua maior sócia é a Feyther Investment Fund Ltd., constituída nas Bahamas.

Em novembro de 2025, a Golden aumentou o capital em R$ 3.417.858, com novas quotas subscritas pela Feyther. No mesmo ato, Beatriz e Mariana Carmezin Beldi entraram na sociedade, e a sede foi transferida para a Rua Vicente Lamarca, 326 — endereço que também reúne registros da Hanbellseg e da HB3 Serviços de Terceirização.

A mudança elevou o capital da Golden de R$ 11.556.301 para R$ 14.974.159. Depois da operação, a Feyther passou a deter 9.388.000 quotas, equivalentes a 62,65% da empresa. Antonio Fabio Beldi ficou com 5.586.156 quotas, enquanto Carolina, Beatriz e Mariana passaram a ter uma quota cada.

Não há registro de transferência de dinheiro da campanha para a Golden ou para a Feyther. Os documentos mostram a ligação societária entre as proprietárias da empresa contratada com recursos eleitorais e o fundo estrangeiro.

Registros da Feyther em diferentes países

A Feyther tem CNPJ brasileiro sob o número 19.311.044/0001-60. Comprovante emitido pela Receita Federal em 23 de setembro de 2026 identifica o fundo como empresa domiciliada no exterior e informa que o cadastro está suspenso desde 9 de outubro de 2021, por inconsistência cadastral.

O contrato da Golden informa que a Feyther foi constituída pelas leis das Bahamas e registra como endereço o Winterbotham Place, Marlborough and Queen Streets, em Nassau. A relação oficial da Securities Commission of The Bahamas de 30 de setembro de 2020 listava o fundo sob a classificação SFM 004, com administração da The Winterbotham Trust Company Limited.

Na lista de 31 de maio de 2026, a Feyther não aparece mais. A Winterbotham continua registrada como administradora de outros fundos. Os documentos não esclarecem quando nem por que a Feyther deixou de constar da relação.

Nos Estados Unidos, a Feyther aparece como administradora da Golden Florida Real Estate LLC, aberta na Flórida em 21 de maio de 2015. O cadastro estadual atribui ao fundo o endereço Tortola Pier Park, Building 1, 2nd Floor, Wickhams Cay I, em Tortola, nas Ilhas Virgens Britânicas.

Esse registro não comprova, por si só, uma mudança da jurisdição da Feyther. Ele indica o endereço usado pelo fundo naquela companhia. A Golden Florida passou a informar uma localização em Curitiba, no Paraná, como endereço principal após alteração registrada em 23 de abril de 2026.

Os documentos analisados não identificam o beneficiário final da Feyther. Carolina, Beatriz, Mariana e Antonio Fabio Beldi não aparecem como beneficiários finais. Nelson Diniz da Costa figura como procurador do fundo no Brasil e administrador da Golden.

Texto produzido pela Redação Finanças em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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