PARIS — O papa Leão XIV foi recebido por multidões em Paris nesta sexta-feira (25), durante sua primeira visita oficial à França em 18 anos. Em discursos na capital francesa, ele alertou para o risco de a humanidade se perder em um "paraíso de máquinas" movido pela inteligência artificial.
O pontífice percorreu as ruas no papamóvel até a Catedral de Notre-Dame. No caminho, acenou para fiéis que carregavam bandeiras amarelas e brancas do Vaticano. Em frente ao Jardim de Luxemburgo, no Boulevard Saint-Michel, ele cumprimentou a comunidade peruana.
Aida Huamán, peruana de 56 anos que mora em Lima e estava na França havia um mês para visitar a filha e acompanhar o papa, disse que ele leu seu cartaz. "Me sinto super bem, tão feliz!", afirmou. O cartaz dizia: "Papa Leão XIV. Peru com você". O grupo também gritava "Viva o papa!" e "O papa é peruano!".
Inteligência artificial e direitos humanos
No Palácio do Eliseu, Leão XIV defendeu a formação de pessoas capazes de fazer escolhas éticas e de distinguir o que é moralmente bom. Para ele, o avanço tecnológico deve estar a serviço da dignidade humana.
Em maio, o papa havia dedicado sua primeira encíclica, "Magnifica Humanitas", à inteligência artificial. Na ocasião, pediu que a tecnologia fosse "desarmada" para impedir que dominasse a humanidade.
O presidente Emmanuel Macron, que recebeu o pontífice com honras militares ao lado de Brigitte, defendeu a criação de uma organização internacional. A proposta é evitar que os modelos mais avançados de inteligência artificial fiquem nas mãos de poucos.
No discurso, o papa também condenou a manipulação genética, a barriga solidária, a compra de órgãos e a oferta de morte programada. A França foi o primeiro país a incluir a liberdade garantida ao aborto em sua Constituição e, em julho, aprovou o direito à eutanásia e ao suicídio assistido em certos casos.
A visita também incluiu a sede da Unesco. No sábado, está prevista uma vigília para jovens no Stade de France, com 80 mil participantes esperados, entre 17 e 35 anos. O roteiro ainda inclui Lourdes e Metz.
A viagem mobiliza 15 mil policiais e gendarmes e custará 27 milhões de euros, aproximadamente 159 milhões de reais. Em Paris, espera-se que um milhão de pessoas acompanhe o pontífice durante seus dois dias na cidade.
A programação continuará no sábado e no domingo em Lourdes, onde Leão XIV se encontrará com vítimas de abuso sexual dentro da Igreja. A visita terminará em Metz, com um discurso sobre a paz e a União Europeia.








