PARIS — O papa Leão XIV encerrou neste sábado (26) sua visita a Paris com uma missa que reuniu cerca de 800.000 pessoas. Depois da celebração, ele seguiu para o santuário de Lourdes, onde presidiu uma oração diante da gruta de Massabielle.
A passagem do pontífice pela capital francesa foi marcada por forte presença popular. Trezentas mil pessoas acompanharam sua chegada pelas ruas de Paris, e 80.000 jovens participaram de uma vigília no Stade de France. Neste sábado, Leão XIV percorreu a Champs-Elysées em seu papamóvel, parando para abençoar bebês enquanto o público agitava bandeiras do Vaticano.
Segundo o Vaticano, os fiéis se concentraram na Praça da Concórdia e na Champs-Elysées. A visita foi a primeira de um papa a Paris desde Bento XVI, em 2008. Em 1997, João Paulo II reuniu um milhão de pessoas na cidade; em 2018, Bento XVI recebeu 260.000.
Na homilia, Leão XIV falou sobre “a sede de sentido, de verdade e de plenitude que habita no coração de cada um” e disse que os jovens são “a Igreja de hoje”. A viagem ocorre em um momento de aumento dos batismos de adolescentes e adultos na França. Foram 21.386 neste ano, apesar da queda geral da prática religiosa.
Laicidade e migração
Em discurso diante do presidente francês, Emmanuel Macron, o papa afirmou que o princípio da laicidade não significa excluir a religião do espaço público. O tema aparece em debates sobre o uso do véu islâmico, cuja proibição em espaços públicos é defendida por Marine Le Pen, que lidera as pesquisas para a eleição presidencial de 2027.
Leão XIV também visitou a Casa Bakhita, associação católica de ajuda a migrantes. No local, ouviu relatos de exilados do Afeganistão e da Nigéria. A organização afirmou que a visita transmitia uma mensagem em um contexto pré-eleitoral.
A missa teve a presença de candidatos, entre eles Marine Le Pen, Jordan Bardella, Édouard Philippe e Gabriel Attal. Macron não participou, mas escreveu na rede social X que a França estava orgulhosa de receber o papa.
Em Lourdes, o pontífice pediu à Virgem que concedesse à França governantes capazes de enfrentar os desafios e servir ao bem comum. Ele se reunirá amanhã, em privado, com vítimas de agressões sexuais na Igreja. A viagem terminará na segunda-feira (28), em Metz, com um discurso sobre a paz e a União Europeia.








