O Irã manteve as exigências para reabrir o Estreito de Ormuz, mesmo depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitar uma proposta apresentada por Teerã para retomar a navegação na passagem estratégica.
O ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, afirmou que a liberação só ocorrerá se as condições do país forem atendidas. "Nossas condições são claras, e qualquer movimento para reabrir o Estreito de Ormuz depende do cumprimento dessas condições. Não recuaremos", declarou à televisão estatal.
O bloqueio de Ormuz e os efeitos sobre o preço global da energia estão no centro do conflito entre Irã e Estados Unidos. A disputa começou no fim de fevereiro, após ataques conjuntos de americanos e israelenses contra a República Islâmica.
Na sexta-feira, o governo iraniano informou que havia enviado aos Estados Unidos um plano para reabrir o estreito em sete dias, contados a partir da validação da proposta. O presidente iraniano, Masud Pezeshkian, disse que o plano foi elaborado em coordenação com Mojtaba Khamenei, guia supremo do país. Também foi formada uma equipe de seis integrantes com poder para tomar decisões.
Trump afirmou no sábado que descartou a proposta. O embaixador americano na ONU, Mike Waltz, disse que os iranianos queriam receber tudo antecipadamente, com a promessa de negociar depois.
Conflito e segurança energética
O comandante em chefe do Exército iraniano, Amir Hatami, advertiu que os Estados Unidos devem se preparar para novos ataques contra seus interesses na região. "A guerra não terminou. Obtivemos a vitória, mas devemos protegê-la", declarou, segundo a agência estatal IRNA.
O ministro das Relações Exteriores da Arábia Saudita, Faisal bin Farhan, afirmou que a estabilidade regional está diretamente ligada à segurança energética mundial. A retomada dos combates no Iêmen afeta o fornecimento de petróleo no Golfo, enquanto as perturbações em Ormuz e Bab al-Mandeb atingiram a Arábia Saudita, maior exportadora mundial de petróleo bruto.
Antes da rejeição americana, Araghchi havia dito que as medidas exigidas já estavam previstas em um protocolo de acordo assinado em junho com Washington. O documento previa o desbloqueio e o pagamento de ativos iranianos congelados, estimados em pelo menos 12 bilhões de dólares, além da suspensão das sanções sobre o petróleo iraniano.







